Sempre que eu acho que eu estou fora, eles me puxam pra dentro novamente!

Esse episódio é sobre timing, esta qualidade por tantas vezes esquecida pelos comediantes. Quer dizer, não sei se “esquecida” é a palavra certa, já que não tenho certeza se dá pra você treinar isso ou se é uma coisa que já vem dentro da pessoa desde o nascimento, como bom-gosto ou aquele lance de olhos verdes no inverno e azuis no verão. E se você não sabe muito bem ou não tem certeza sobre o que é timing, recomendo procurar por “Ricky Gervais” e “Diogo Portugal” no YouTube, ver alguns videos dos dois e notar a diferença. Enfim, esse tal de timing.

Rolam vários momentos que mostram que todos os envolvidos (e aproveito pra mandar parabéns pra eles) sabiam o que estavam fazendo.

A cena em que Jerry estava conversando com Marla no apartamento. Os dois estão na cozinha, Jerry oferece o Snapples, ela não aceita; eles estão falando do ex-namorado dela, que tinha ido pra Alemanha e dá pra ver que ela vai contar alguma coisa; o interfone toca, é a Elaine; o interfone toca outra vez, é a Elaine de novo, a porta não tinha abrido da outra vez; a conversa parece que vai caminhando pra um final surpreendente, Marla vai ficando meio nervosa até que BOOM, ela fala que é virgem e BOOM, Elaine abre a porta com um sorriso nos lábios e começa a contar uma história sobre ter derrubado o diafragma ou algo que o valha. Perfeito.

George e Jerry estão tentando ter ideias pro piloto, no apartamento do Jerry. Eles resolvem pedir comida chinesa enquanto isso. Acontece que a comida acaba atrasando, porque Elaine e Marla furam o sinal de pedestres e Ping, o entregador, sofre um acidente de bicicleta por causa disso e derruba toda a comida dos dois.

Jerry e George estão no escritório da NBC, esperando pela reunião. George quer desistir, como sempre, e fica tentando inventar uma desculpa sobre ter dor nas costas ou sobre a irmã dele ter morrido, pra poder fugir da reunião (eles não tinham nenhuma ideia ainda). Aí ele vê David Letterman passando no corredor, e vai falar com o cara sobre uma ideia que ele tinha tido pra se livrar da Susan (como Susan era grande fã do Letterman, ele ia “oferecer” ela pra ele, pra poder terminar o namoro sem comprometer o piloto). Assim que ele sai, a secretária chama, e o Jerry tem que entrar sozinho. Ele começa tentando vender a história do restaurante chinês, eles não aceitam. Então ele tenta uma ideia idiota do George, sobre um cara ser condenado a servir como mordomo porque ele não tinha dinheiro pra bancar um acidente de trânsito. E o pessoal da NBC curte essa ideia e nessa hora o George entra na sala. No calor do momento, ele beija Susan na boca, o que acaba fazendo com que Susan seja demitida, já que a chefe dela não sabia do namoro dos dois. George então fica livre pra usar a cantada do “eu sou roteirista”, já que a Susan chutou ele por causa da demissão.

George está no telefone, com a Susan, e o Kramer tá sentado no sofá, vendo Jeopardy, e fica gritando as perguntas empolgadíssimo, enquanto o George tá na tensão recebendo as notícias da demissão da namorada.

Eu até que gosto dos Irmãos Farrelly, que escrevem esse episódio. Prefiro os Coen, mas gosto dos Farrelly também. Eles fazem umas comédias escrachadas, são caras engraçados. São deles Deby & Loide, Quem vai ficar com Mary, O amor é cego, Amor em jogo (a adaptação mais fraca de um livro do Nick Hornby) e parece que eles vão modernizar Os 3 Patetas.

O episódio tem várias situações bem engraçadas. O lance de o Kramer ter dado a televisão pro George porque tava ficando viciado. A cena com o Jerry falando pro George que ele e Susan são namorados porque Susan guarda absorventes na casa do George. O George usar aquela jaqueta de esqui durante seis anos com a etiqueta porque “as mulheres gostam de esquiadores”.

Esse foi o único episódio que eles escreveram, pena.