Não entendo essa máquina de suicídio. Não há prédios altos onde essa gente mora? Não podem colocar um revólver na boca como pessoas normais?

Quem me conhece sabe que eu sou uma cara mais Curb Your Enthusiasm do que Seinfeld. Claro que estou generalizando, nenhuma das minhas tias deve saber disso, visto que nunca entrei no assunto com nenhuma delas e que, muito provavelmente, a maioria delas não saiba o que seria um Seinfeld.

Um momento que rio sempre, logo nos primeiros minutos, é quando Jerry, após uma discussão com George sobre favores e bolos Drake, resolve poupar tempo e simplesmente deixa seu saco de lixo na porta do vizinho Kramer. Esse abre a porta, olha para os lados e prontamente pega a sacola pra si, como se aquela situação se repetisse frequentemente, não sendo necessário ao menos olhar o conteúdo para saber que ele vai ser feliz ao tê-lo.

Uma das histórias do episódio trata do desejo mútuo de Jerry e sua vizinha latina. Mas entre eles está o namorado dela, um tipão contravenção que certamente ia fazer por onde se descobrisse que sua garota está regando plantas no quintal ao lado. Qualquer homem sensato sentiria o medo da morte, e Jerry é um homem sensato.

Daí o figurão calha de desacordar pra vida e entra em estado de coma, o que deixa o caminho praticamente livre para as investidas de nosso protagonista. Não antes de Gina, a vizinha, provar ser uma pessoa um tanto quanto insana, pedindo para que Jerry a beijasse no hospital, mais precisamente em cima de seu namorado em coma. Essa situação gera a conversa com Kramer sobre ética do coma, apropriação e suicídio, que dá nome ao episódio.

Em outro momento, George segue o conselho de Elaine e visita uma vidente. Lá, justo no momento em que a cartomante havia deixado claro que algo de ruim aconteceria na viagem de George, Elaine cria caso com ela e os dois acabam sendo expulsos dali, deixando George desesperado com a informação pela metade. Típico comportamento Larry David, que só aumenta no decorrer do episódio.

Isso talvez seja uma das coisas mais legais desse personagem que é o Larry David e o George Costanza – são o mesmo, sendo o primeiro uma versão milionária do segundo: como ele consegue pirar e se complicar sozinho, sem a ajuda de ninguém. Ele pega um pequeno fio-dental de problema e transforma isso numa jibóia gigantesca, pronta para esmagar seus ossos, só com a paranóia delirante. O maior problema de George e Larry são eles mesmos.

Mas mais do que qualquer momento memorável, esse episódio marca a estréia do personagem Newman. Antes disso o personagem marcava presença (na voz de Larry David) justamente tentando cometer suicídio, ameaçando pular do prédio. Posteriormente, com a contratação de Wayne Knight para interpretar o personagem, essas falas foram redubladas para as reprises.