Hey! Eu já comi sapos! Ninguém é perfeito!

A primeira vez que vi este episódio não gostei tanto assim. Achei fraco, sem graça. Com duas trilhas um tanto forçadas (a espera pela carona na festa e a confusão com George na farmácia). Daí me liguei no título The Stranded (quer dizer, O prisioneiro) e pensei que, de uma certa forma, aqui todos os personagens estão “presos”. Seja esperando uma carona que não chega, com uma visita que chega sem avisar, uma nova namorada, uma festa chata… Além do fato de que você pode ir preso ou “em cana”, literalmente, por qualquer motivo. Pois tudo isso acontece aqui.

Todos os planos entre homens são tentativas. Se um deles tem a chance de ir atrás de uma mulher é como se os dois não se conhecessem. Este é o código dos homens. E não importa a ocasião. Quando cancelam uma missão espacial é porque um astronauta conheceu alguém no caminho.

A parte do stand-up de Jerry é bem engraçada. Ele não só divaga sobre o universo masculino, como também sobre propagandas de remédio para a gripe (bem apropriada, por sinal) e favores irrecusáveis.

“É muita pressão. ‘Faça amor comigo.’ O que é isso? Estou num circo? E se eu não conseguir? Eu não funciono sob pressão. É por isso que não jogo a dinheiro. Eu me apavoro. Posso me apavorar hoje.”

George é o lado B de Larry David. Ou lado A, tanto faz. Neste episódio, ele é o centro de tudo. De tudo que é confuso e caótico, diga-se de passagem. É George quem insiste para que Jerry e Elaine o acompanhem em uma festa com toda pinta de roubada: pessoal do trabalho em um lugar afastado da cidade. Claro que esse esforço todo é por causa de uma colega de escritório que ele estava a fim.

No meio da festa ele sai para ficar com a mulher. Jerry e Elaine ficam sem carona de volta. É a deixa para Kramer ir buscá-los. Claro que o tempo de Kramer é sempre surreal. Ele perde o endereço e só chega lá através de uma combinação maluca de números.

Antes de ir embora, como uma forma de se desculpar por ter ficado ali tanto tempo, Seinfeld, educadamente, dá o próprio endereço para o dono da festa, Steve Pokotilow (Michael Chicklis) e comenta que ele pode passar lá para uma visita se, por acaso, for a Nova York. O que ele mal pode esperar é que o sujeito leva a sério e realmente aparece para uma visita. Neste dia, meio sem graça, Seinfeld diz que precisa sair, pois havia realmente marcado de encontrar com George, que acaba preso. Neste meio tempo, Kramer fica amigo de Steve, eles tomam um porre e chamam uma prostituta.

Além disso, a militância de Elaine contra o uso de peles de animais atinge seu ponto máximo e é o que amarra o episódio. The Stranded também faz referência a um outro episódio, também clássico, The Jacket, na hora em que Jerry diz: “Pendant? Aqueles miseráveis!” Ele cita a reação do pai de Elaine, que é um escritor consagrado, ao descobrir que ela trabalha na Editora Pendant.

Depois eu descobri que o roteiro do episódio, baseado em uma experiência pessoal do roteirista Matt Goldman, rendeu uma indicação ao prêmio da Associação de Escritores dos EUA.

É, analisando agora, começo a pensar que The Stranded é genial. Taí um episódio que me “prende” à série.