Claro, por que não?

Um dos primeiros episódios de Seinfeld que eu vi foi o último, e entendi caralho algum, fiquei um bom tempo sem ver, preferindo bem mais Um Maluco no Pedaço. Entretanto quando a coisa engrenou mesmo pra mim, naquelas reprises diárias da Sony, foi com essa segunda temporada que fluiu gostoso.

Porém esse episódio tem nada de especial pra mim, quero dizer, é engraçado, rola vários dos guilty pleasures que sempre foram os granulados dessa bela torta chamada Seinfeld, mas para minha alma não é nada demais.

Vamos lá, é aquele que o Kramer acha uma estátua nas coisas do vô do Jerry, estátua essa idêntica a uma que o George quebrou quando era criança. Curto sempre que o George compartilha essa informações sobre a família Costanza, curto muito. Então entram na história essa escritora gótica que a Elaine tá quase publicando e seu namorado faxineiro, que vai limpar a casa do Jerry e acaba furtando a estátua.

Daí rola uma coisa que eu acho bonito: o Jerry e o George investigando e tentando pegar a estátua de volta de qualquer jeito, ignorando totalmente como isso afetaria negativamente o trabalho da Elaine com a escritora gótica. Essa é a vibe que eu sempre me amarrei, esses momentos que rola uma identificação seguido de um remorso da parte do telespectador, pelo menos eu.

E é exatamente isso que acontece, a Elaine se dá mal, perde o trampo com a gótica e não escuta nenhum pedidos de desculpa do Jerry e George.

Pro final tem dois momento bonitos: quando o George, infeliz por não ter recuperado a estátua, diz “Essa experiência me afetou. Me tornou mais descrente e mais amargo.” Jerry solta um “Sério?!” e George completa com “Claro, por que não?”. O outro momento é o Kramer fantasiado de policial invadindo a casa do faxineiro ladrão, lindíssimo. “… and murderer!”. Quente, quente.

O stand-up do Jerry no final é muito bom também, concordei com a cabeça em tudo quando ele falou de guardar dinheiro dentro do tênis.

Ou seja, não é nem de longe o melhor episódio do mundo, lembro de vários que trouxeram bem mais gargalhadas para meu semblante, tantas gargalhadas que minha namorada deve que me cutucar e repreender com um “Vinícius, tu tem que ser tão efusivo assim?!”. Mas mesmo assim, é uma bela maneira de ir começando a ver o seriado.