Se você não consegue dizer algo ruim sobre um relacionamento, não deveria dizer nada.

Foi com alegria que vi que a minha primeira aparição no Movimento Seinfeld coincidiu com a primeira aparição de Mickey Abbot na série. Pra quem não lembra, Mickey é o amigo “pequeno” e invocado de Kramer que trabalha no show business, que aqui está sentindo a pressão pra acompanhar o crescimento da criança que substitui em cena. Fica estranho que o enredo principal da trama seja sobre um personagem que acabamos de conhecer, mas é graças a isso que temos um vislumbre de Kramer como ator, na cena mais engraçada do episódio.

As demais histórias se desenrolam a partir de um encontro com Al Necci (Neche? Netchy? Nietzsche? Nem o IMDB sabe), um sujeito com sotaque novaiorquino carregado, mas que nem chega perto do da namorada de George. É ele que deixa Jerry sentindo a pressão de entreter um amigo hospitalizado, e que cria a pressão para que George se comprometa a um relacionamento que não via a hora de dar fim. E é por causa dele que Elaine acaba sujeita a uma pressão ultrajante, numa das situações mais polêmicas da série.

Ele botou pra fora. É isso que ouvimos três vezes, com a história sendo contada pra personagens diferentes. Mas aqui a graça não está na repetição (e nestes tempos de memes começo a questionar se algum dia houve graça na repetição), mas sim nas particularidades dos personagens em suas reações. Não é toda série que consegue ordenhar uma piada assim, sem revirar os olhos de quem assiste, mas em Seinfeld isso acontece com regularidade, e suspeito que seja por essa diferença na abordagem.

No cruzamento de idiossincrasias com minúcias sociais, o arroz com feijão da série, temos Mickey oferecendo cigarro pra uma criança mas se ofendendo ao ser chamado de midget, e o cara que botou pra fora ofendido com uma mulher amamentando em público. Talvez seja essa falta de ênfase nos personagens principais que faça com que, no geral, The Stand In seja um episódio morno e frouxamente amarrado, com um final confuso de brinde. Mas ainda é Seinfeld, bom mesmo quando é ruim.