Você quer uma visão geral? Vejo um homem mesquinho segurando um casaco e tentando se dar bem.

The red dot é, em geral, subestimado, e até o era por mim até pouco tempo atrás. Por achar que a série só engata a partir da 4ª temporada (mesmo tendo alguns memoráveis episódios iniciais, como The chinese restaurant e The parking garage), acabo por negligenciar alguns episódios que cedo ou tarde me são lembrados.

O episódio é um culto a George Costanza: começa com um George sortudo e termina com um George loser, bem como conhecemos. Tudo gira em torno de um ponto vermelho em um casaquinho de cashmere comprado por George para presentear Elaine por tê-lo indicado para um emprego na Pendant Publishing, onde a própria trabalha. Sim, George. Trabalhando. Em uma editora.

Tudo correria perfeitamente bem, não fosse o potencial de George para estragar tudo na vida: ele só compra o casaco porque consegue um desconto fantástico, já que o mesmo está defeituoso com o ponto vermelho (que nós espectadores não conseguimos ver) e não é passível de troca. Jerry tenta impedi-lo, sem sucesso. George, sentindo-se muito esperto, presenteia Elaine e pensa ter tido sucesso até que um Kramer bêbado e subaproveitado no episódio aparece e aponta para a manchinha vermelha no melhor estilo Kramer de espontaneidade.

Obviamente, Elaine descobre que George só comprou o casaco porque pagou mais barato por uma peça defeituosa, e aparentemente o devolve a George, que acaba por regift a peça à faxineira da editora, com quem vem tendo um caso e por quem vem sendo chantageado. A pobre imigrante panamenha fica encantada com o presente, mas como a sorte não joga no time Costanza, ela consegue ver o ponto vermelho. Não é preciso dizer que George é despedido e, ao receber a notícia, profere um discurso maravilhosamente cínico, para fechar em alto estilo.

Ainda há uma história coadjuvante muito boa, a do “namorado” alcoólatra de Elaine, que dá origem a uma ótima discussão sobre gírias, mas que só faz sentido no idioma original. De resto, em resumo digo que o episódio tem tudo o que mais amo na série: um apanhado completíssimo da personalidade doentia de George, uma história principal que se entrelaça muito bem ao longo do episódio, diálogos rápidos, auto-referência (George mencionando Art Vandelay), intertextualidade (Elaine citando Cabo do medo) e um roteiro tão bem amarrado que me faz perdoar todas as inverossimilhanças que só perdôo pelo bem das boas comédias. Afinal, ninguém quer que eu acredite que Kramer tenha ficado bêbado em 15 metafóricos segundos, certo? Mas eu entendo e o episódio ganha não só meu perdão, como também meus aplausos.