‘Ele disse que vai me demitir se você não correr, Jerry.’ ‘O que? Ele não pode fazer isso.’ ‘Ele pode, ele controla os meios de produção.’

Em um episódio no qual Jerry é o Super-Homem e o comunismo arruína um (raro) emprego para Kramer, é incrível como as histórias mal se interpolam. Porém isso acaba não sendo um problema, a história de George é um mero detalhe e lhe dá amplo tempo para agir na de Jerry.

Nosso amigo Seinfeld está todo feliz por namorar uma garota chamada Lois, assim estando um passo mais perto de seu ídolo kryptoniano. Infelizmente ela trabalha para Duncan Meyer, colega de colégio de Jerry e George que guarda um profundo rancor de Seinfeld por uma corrida que o nosso querido comediante ganhou injustamente. Meyer não tem como provar que Jerry queimou a largada e só Costanza sabe da verdade escura que seu super amigo esconde.

Para não perder o relacionamento que lhe traz tantas chances de fazer referências ao Super-Homem, Jerry cede à pressão e larga a frase que bradou por vinte anos: “Eu escolho não correr!” Graças ao mundo cheio de erros e coincidências, Kramer está prestes a levar George ao aeroporto e seu cano de descarga solta um estouro que confunde Jerry, que sai correndo primeiro. Ninguém percebe o erro novamente, Duncan Meyer fica duplamente desgraçado e Jerry tem um final tão idílico que destoa da série em geral. Mas quem liga? Foi engraçado.

As desventuras de Elaine com seu namorado comunista – algo que ela acha bem legal e fica exibindo pras amigas – e as de Kramer exibindo um racismo casual com uma criança russa e depois sendo exposto à literatura comunista de Ned, namorado de Elaine, servem para dar carne ao episódio. Porém nenhuma das duas vão muito longe nem ocupam tempo demais.

Toda essa inserção de temas de comunismo nas histórias B foram legais pra lembrar que o Super-Homem lutava contra isso em algum ponto e muito mais pra lembrar que, na época do episódio (1994), o comunismo estava recém chegando ao status de algo mais risível do que realmente importante e ameaçador nos EUA. Ainda bem que isso aconteceu ou nunca teríamos a maravilhosa cena pós créditos de George conversando com “El Presidente”.

Momentos de “nossa, é, a internet não existia”:

  • Ned diz para Kramer que ele tem uns livros no carro para lhe emprestar.
  • George e Jerry conseguem fingir não terem se visto desde o colegial, pois não existia ainda o poder das redes sociais.