O mar estava revoltoso aquele dia, amigos – como um velho tentando devolver uma sopa na deli.

Não assistimos a Seinfeld pela beleza dos enquadramentos ou pelo primor técnico da mixagem de som, mas devo dizer que em The Marine Biologist o auge pra mim é a cena em que George, fazendo-se passar por um biólogo marinho, é compelido por uma peguete a salvar uma baleia convalescente na praia. “Salve a baleia, George”, suplica ela. “Por mim.” Resignado, George caminha em direção ao mar, e a câmera observa ele se afastar; um belo plano. Em voice-over, George conta o que passava por sua cabeça naquele momento. É um momento, digamos, cinematográfico. E George incorpora o tom épico do acontecimento a sua narrativa. É o grande momento de um grande episódio.

Aparte as boas amarrações da trama, que geralmente fazem parte dos meus episódios favoritos – a bola de golfe da única tacada bem-sucedida de Kramer atinge a baleia que George salva; Seinfeld induzindo Elaine ao erro junto ao escritor russo, que joga a agenda eletrônica dada por Kramer pela janela etc –, dois momentos quase aleatórios engrossam o caldo suficientemente para que o episódio se torne clássico.

O primeiro é a camiseta preferida de Jerry, a “Golden Boy”. Impossível não se identificar com o afeto de Jerry. É a primeira camiseta que ele usa sempre que as roupas voltam da lavanderia. Mas cada lavagem a aproxima da morte. “Isso que torna a camiseta uma figura tão trágica.” É uma piada que deve ter sido incluída pois fala fundo ao coração de todo ser humano.

O segundo, a sapatada que atinge Newman. Trata-se de sadismo puro, sem relação com nenhuma trama do episódio, sem motivação que não seja fazer o personagem sofrer. Há algo errado nessa gratuidade? Pode apostar que não.