Se fosse socialmente aceitável, eu me cobriria inteiro com veludo.

Acabei de rever o episódio “The Label-Maker” para produzir esse texto e, mesmo não sendo um dos meus favoritos, foi bem divertido. A trama é até complexa, pois tem o tema central (ingressos para o Super Bowl) e temas paralelos (o jogo do Risk e o colega de quarto da namorada do George).

O plot central traz de volta um personagem muito interessante, aquele dentista que se converte ao judaísmo simplesmente para conseguir mais uma imunidade para piadas. Ele entra na história como um “re-gifter”, alguém que recicla um presente recebido para uma outra pessoa. A quantidade de vezes que os ingressos passam de uma mão para outra é surreal, considerando que são ingressos comprados com uma antecedência gigante. E Tim Whatley é um personagem interessantíssimo, tanto que volta diversas vezes à série!

A trama de George e sua namorada é bem interessante. Ele tem mais interesse no apartamento do que na própria namorada, e se incomoda que ela tenha um colega de apartamento “working from the inside”. É nessa trama que estão centradas todas as discussões de regras de etiqueta entre George e Jerry no restaurante.

Elaine e Kramer não trazem tramas interessantes, apesar de trazer cenas divertidas, como o ucraniano no metrô enquanto Kramer e Newman jogam Risk (“a game of world domination played by two guys that can barely run their lives”) e Elaine tendo que confrontar o dentista por ser um re-gifter!

O episódio encerra-se com uma sacada genial que, inclusive, parece mal aproveitada (tem menos de 1 minuto). Para tentar se livrar da namorada, que agora tem um apartamento desinteressante, George tem a ideia de convidá-la a um “Menage à Trois” com seu colega, imaginando certamente que apenas o pedido fosse o suficiente para ela se ofender e romper o namoro. É genial pensar na situação. Mas, num clássico spin-off, a namorada topa e George não sabe o que fazer… =)

Este nao é dos meus episódios favoritos. The Label Maker é o 98o. episódio, dois antes do especial recapitulando os 100 primeiros. A sexta temporada é um divisor de águas. Não tenho essa tese ainda escrita, mas entendo que essa temporada marca o início dos episódios que deixam de ser sobre o nada e situações cotidianas e passam a ter sempre um tema central por episódio. É emblemático dessa temporada os episódios com nomes de caricaturas / estereótipos, como “The Gymnast”, “The Chinese Women”, “The Secretary”, “The Face Painter”, vs. a fase anterior de episódios que refletiam situações “sobre o nada”, como The Stake Out, The Pony Remark, The Chinese Restaurant, The Apartment. E eu prefiro a primeira fase.

Apesar de não ser um episódio clássico, tem um quote que faz parte do meu dia a dia. “If it was socially accepted I would drape myself in velvet.

Sou conhecido por preferir conforto à moda. Uso Crocs diariamente e sou orgulhoso disso e essa é minha frase de auto-afirmação. =)