Ah, a carona. É como a sedução do canto da sereia. Nunca é o que parece ser. Ainda assim, quem de nós consegue resistir a ela?

O grande lema de Seinfeld era que se tratava de uma série “sobre o nada”. Muita gente já falou que isso é meio furado. É, na verdade, uma série sobre o cotidiano de quatro amigos (alguém lembrou de Friends?). Ou mesmo uma série sobre um comediante e as situações que inspiram seu stand-up comedy. Sinceramente, não tenho opinião formada sobre isso. Quem tiver, por favor, que se manifeste nos comentários.

Mas se os partidários da crença de que Seinfeld é realmente uma “série sobre o nada” precisarem de um exemplo para defender seus argumentos, podem muito bem pegar este episódio. The jacket é quase um episódio sem história. A trama se resume, praticamente, a “Jerry e George precisam ficar com o intimidador pai de Elaine enquanto ela não chega para um encontro”. Só isso. Simples. Precário. Mas, como estamos falando de Seinfeld, é o bastante para encaixar várias situações que despertam risos.

As pequenas neuroses e flagrantes do ridículo humano estão presentes mais uma vez. A roupa que nos faz sentir melhor que todo mundo (a tal jaqueta do título), a música que não sai da cabeça, o ódio ao amigo que te deixou sozinho com uma pessoa com quem você não tem o que falar. Sem contar um excelente trecho do show de Jerry, com uma máxima sobre como as pessoas podem se tornar amedrontadoras depois que se tornam pais, pois passam a ter o poder de criar gente.

É bom reparar no crescimento do personagem de Kramer. Ele começa a ter mais espaço. Em vez de só aparecer para soltar um gracejo, passa a criar situações que complicam os outros amigos. Kramer é como o George Harrison nos Beatles. Começou ofuscado e com os anos foi mostrando como podia render e trazer à luz canções como Something. É isso. Kramer vai se preparando aqui para também levar something à série sobre o nothing.