Você não é médico, mas você interpreta um na vida real

O que eu gosto nesse capítulo é o fator HUMILDADE que PERMEIA a série – em especial, essa segunda temporada. Humildade no que diz respeito ao Jerry não ter uma trama assim tão importante. Fica claro que o personagem principal nesse episódio é o Costanza, com seu “ataque cardíaco”. Às vezes eles estavam tentando construir os outros personagens, às vezes eles não sabiam exatamente o que fazer com o Jerry, ou às vezes eles só estavam optando pela história mais engraçada que pudesse ser contada na semana. Aliás, a própria “trama” do Jerry é muito engraçada, embora dure poucos minutos, se tu for TOTALIZAR.

Kramer não tem uma trama própria dele – ainda não havia chegado o momento em que todos tinham histórias que se cruzavam e completavam quase sempre – mas a sugestão que ele dá para o Costanza de procurar um CURANDEIRO, além de deixar claro esse personagem OUTSIDER, UNDERGROUND e SUBVERSIVO que é o Cosmo (a gente ainda não sabe que ele chama Cosmo. Taí em PRIMEIRA MÃO), serve como mote para o resto da trama, onde a gente pode ver o Jerry usar muito do CINISMO com charlatões, bem como o humor “sou amigo mas tô te zoando como se nem ligasse para ti” aplicado com o Costanza, que é uma coisa muito bonita que rola pela série inteira. O mais legal – e gay – é tu pensar que o George não tem nenhum amigo que compraria os barulhos dele como o Jerry faz. E o Jerry por sua vez, embora faça pouco caso do Costanza, FECHA COM ele porque precisa de alguém que precise tanto dele assim a ponto de não ligar para ser constantemente ZOADO. MOCKED. MOCADO.

Cunhei essa agora: MOCADO.

A trama da Elaine não importa muito, mas ela tá lá sendo a Marie Benes PAQUERADEIRA de sempre.

Abraço a todos os envolvidos, Larry Charles nas canetas e Tom Cherones nas câmeras.