Um caso, oh meu deus, isso é tão adulto!

Nesse episódio Seinfeld segue um motorista que bateu em um carro estacionado sem deixar nem um bilhete para tirar satisfações, descobre que é uma mulher linda e resolve esquecer o episódio e chamá-la para sair. Na outra ponta da trama, George estraga um casamento quando diz “God bless you” (Deus te abençoe, nosso popular “saúde!”) para o espirro de uma mulher – que, agradecida, percebe que nunca ouviu um do marido.

É uma brincadeira sobre como certas convenções sociais tem status de Letra de Lei, e quebrá-las pode provocar reações exageradas. Aqui, George tem um caso com a mulher dos espirros negligenciados, depertando a ira do marido, e Seinfeld passa perrengue com a motorista desleixada quando descobre que não deixar bilhetes depois de bater com o carro é só o traço mais suave da sua psicopatia total.

Esse episódio é bastante exemplar sobre como funciona a mente dos personagens. As conclusões que tiram dos problemas que inventam (ou em que esbarram) só são facilmente identificáveis para nós porque, como disse Costanza em outro episódio, temos “acesso a sua demência”. A discussão sobre como falar “God bless you” depois que alguém espirra não ajuda ninguém a se sentir melhor é muita lógica de maconheiro.

A subsubtrama do Kramer tendo uma espécie de ataque epilético toda vez que ouve a voz da apresentadora do Entertainment Tonight é meio boba e evidentemente só existe como mecanismo detonador para a piada do desfecho, que nem é boa. Uma pequena falha do episódio, muito bom no geral.

E aqui um comentário de roteirista. A frase do Costanza sobre adultério ser algo muito adulto e lhe lembrar meias de seda, martinis e William Holden me dá inveja dos roteiristas americanos, que podem usar esse tipo de referência – detalhes que aludem a todo um universo – para fazer piadas. O público aqui é subestimado, embora eventualmente mereça.