Então basicamente é cada homem, mulher, criança e inválido por si.

Dessa vez tudo começa no escritório de Elaine, com Kramer e Toby – uma colega de Elaine dotada daquele tipo de efusividade irritante que faz com que pessoas vibrem durante shows de patinação e comemorem vitórias no pedra/papel/tesoura gritando “na sua cara, na sua cara” – discutindo o “coffe book table about coffe book tables”, para desespero da Srta Benes. Também de começo ficamos sabendo que a namorada de George, Robin, é garçonete do clube de comédia onde Jerry se apresenta e tem um filho pequeno para a qual precisa organizar uma festa, assim como que um importante crítico irá ao show de Jerry naquela semana. E pronto, foi lançada a trama.

A partir daí o que temos é o brilhante entrelaçamento de todas essas premissas, com a ida da nova namorada de Kramer ao show de Jerry – que ela arruína com seu comportamento efusivo e suas constantes interrupções – e a realização da festa de aniversário do filho da namorada de George, onde após uma intensa discussão com Eric, o Palhaço (George simplesmente não consegue aceitar que um palhaço profissional não saiba quem foi o Bozo), George acaba se assustando com um incêndio na cozinha e abandonando a casa, não sem antes atropelar idosos, crianças, mulheres e qualquer outro que estivesse na sua frente.

E isso dá lugar a duas cenas, uma quando George, na frente da ambulância, tenta se justificar perante sua namorada e outra enquanto ele discute os eventos da festa com Jerry, que pra mim sintetizam uma das melhores características de Seinfeld, que é a representação sincera das pequenas maldades e covardias humanas, sem que necessariamente seja tirado daí um juízo de valor. Claro, temos todas as oportunidades de notar que George é um covarde, que ele simplesmente deixaria todo mundo pra trás e que ele possivelmente pisou no braço da própria namorada para fugir de um mini-incêndio causado por hambúrgueres numa chapa, mas isso nunca chega a rebaixar o conceito que temos dele, seja pela humanização das falhas do personagem seja pelo fato de que trabalhamos em prédios altos e sabemos que se isso pegar fogo realmente vai ser cada um por si e não esperem que eu vá deixar ninguém passar na minha frente só porque essa pessoa está de muletas.

Na mesma cena em que conversam sobre o incêndio George dá a Jerry a ideia de se vingar da namorada de Kramer na mesma moeda, ou seja, ir até o trabalho dela interrompê-la e irritá-la. Jerry aceita e vai até o escritório onde tanto vaia, interrompe e zoa Toby que ela acaba fugindo do prédio e sofrendo um acidente de trânsito onde perde seu dedinho, extremidade essa que é reimplantada após ser resgatada por Kramer, que para isso lutou com um assaltante, dirigiu um ônibus e lutou com um assaltante dirigindo um ônibus, tudo isso sem deixar de parar nos pontos (“meu deus, você é o Batman”).

O desenlace do episódio se dá com a promoção de Toby ao cargo que ela disputava com Elaine – escolha essa motivada pelo fato de que ela sofreu o acidente e o chefe não queria decepcioná-la – e com o sucesso de Jerry em conseguir que o crítico fosse ver outro de seus shows para avaliá-lo mais positivamente. O que, claro, não acontece, já que George vai até o clube pedir perdão para Toby garantindo ser um novo homem mas acaba se assustando com a arma de brinquedo de um humorista e não apenas sai correndo novamente – deixando todos pra trás – como ainda causa a total evacuação do teatro e um novo fracasso na apresentação de Jerry.

Esse episódio também marca a despedida do roteirista Larry Charles, o responsável por alguns dos melhores episódios da série, que abandonou Seinfeld em sua quinta temporada para se dedicar a Mad About You (aquela série com a Helen Hunt gatinha) e posteriormente dirigir Curb Your Enthusiasm e Borat, além de produzir Entourage, porque para ele o mundo não é o bastante. E claro, ele também escreveu dois episódios de The Tick, mas acho que apenas eu me empolgo com isso e faço menções ao Batmanuel durante diversos momentos do dia.