Sabe uma coisa ótima? Quando você lê ‘Moby Dick’ pela segunda vez, Ahab e a baleia se tornam grandes amigos.

O lance de Seinfeld ser “sobre o nada” nunca me pareceu correto. A argamassa dos roteiros é sempre composta de neuroses, mal-entendidos e pequenas obsessões dos personagens, e das quais frequentemente compartilhamos. A beleza é essa recusa absoluta de justificativas dramáticas para essas coisas. Elas simplesmente surgem, causam um certo estrago e desaparecem. E ressurgem em algum episódio adiante, sob outro contexto – afinal, nunca há lição a ser aprendida.

A angústia de George no começo do episódio é um dos bons exemplos dessa aleatoriedade. Ele desabafa com Jerry sobre sua vontade de terminar um relacionamento, mas no começo da conversa ele claramente não tem a mínima ideia do porquê. George sendo George, o que se segue é uma tentativa hilária e conturbada de racionalização de uma decisão sem sentido, com a qual Jerry concorda cinicamente (e reparem no final do episódio, quando Kramer assume o papel de Jerry e este, de George).

Como nos melhores capítulos da série, o problema de um elemento da turminha é transferido para o outro, geralmente agravado. Aqui, quando George convence Jerry a buscar alguns livros que esqueceu com sua ex – aliás, livros babaquíssimos como Staying Well - The Gentle Art of Verbal Self-Defense –, Jerry acaba se envolvendo com a mina, rumo a um desfecho em que, num lance de mestre, o material de stand-up de Jerry é criticado de forma cruel.

Gosto desse episódio, mas o conflito aqui, apesar de engraçado, é de uma escala muito pequena e as subtramas nunca se entrelaçam de verdade. Numa safra de melhor qualidade, o vizinho que ignora Elaine seria o quiroprático que George se recusa a pagar integralmente, e Kramer se envolveria em algum tipo de confusão na devolução da fruta no supermercado que acabaria rendendo prejuízo a Jerry.

Pra encerrar: eu sempre me RACHO AO MEIO de dar risada quando o George engole a mosca. Não tem como não adorar um momento como esse.