Eu não posso ir ver um filme ruim sozinho. Eu vou fazer comentários sarcásticos pra estranhos?

Este foi o décimo-sétimo episódio da série a ser exibido. Aclamado por muitos (e também por mim) como o primeiro clássico da série que se anunciava “um show sobre nada”. Bom, um episódio passado inteiro em uma sala de espera de um restaurante chinês era muito adequado ao tema! O fato é que os executivos da NBC empombaram com o episódio e não queriam que ele fosse ao ar. O argumento era simples e lógico: ficar meia-hora esperando uma mesa em um restaurante é chato, assistir a isso não pode ser melhor. Por fim acabaram concordando em deixar ir ao ar desde que fosse no final da segunda temporada, quando a série já estivesse mais, digamos assim, aceita pelo público.

Este que talvez seja o primeiro marco de maturidade da série, a hora em que a equipe prova que acertou a mão. Talvez seja emblemático, seja um dos mais lembrados e porém, guarda um grave problema: não conta com a presença de Kramer. De acordo com a sinopse, Kramer era um ermitão que não saia de casa há séculos. Por isso Michael Richards não participou da gravação e, também por causa deste capítulo, pediu a revisão neste item limitador de seu personagem e, em conseqüência, de toda a série. Foi por causa do Restaurante Chinês que Kramer pode ganhar mundo. A alforria de Kramer.

Este capítulo foi ao ar no dia 23 de maio de 1991. Todo mundo que curte a série deve ter visto ou ouvido falar. Eles ficam ali esperando, mortos de fome, e o recepcionista sempre dizendo que em cinco ou dez minutos a mesa estará pronta. Tentam oferecer vinte pratas como suborno ao funcionário, ou dono do restaurante, e se dão mal. Um detalhe: George topa rachar a propina mas só dá seis dólares, e justifica dizendo que estava planejando comer pouco. Elaine diz que tem tanta fome que comeria algo do prato de qualquer um ali dentro e é desafiada a fazer isso mediante um prêmio de 50 dólares. Tenta negociar, entredentes, um rolinho-primavera com a os comensais da mesa sugerida por Seinfeld e lhes oferece metade do prénio. Estes e acham que ela é maluca pois ela não chega a verbalizar a oferta, apenas faz uma cara estranha e murmura coisas ininteligíveis. Numa trama paralela, George está querendo usar um telefone público e tem um cara lá esticando a conversa o que o irrita muito pois ele está tentando consertar uma primeira noite de sexo mal-sucedida – em virtude de um chamado da natureza irrevogável –, com uma pretendente de nome Tatiana. Seinfeld é escada pra todos e dá uma aula de comédia de situação neste brilhante capítulo. Coisas que podem acontecer com todos e que se encaixam, num roteiro enxuto, e que, ao mesmo tempo, traduzem muito bem o espírito da série e apresenta com perfeição e síntese as personagens.

Pois é. Ficou faltando o Kramer. Este é o único detalhe que me impede de nomear este como o episódio mais importante da série. E, cá pra nós, o figurino da Elaine era muito, mas muito feio mesmo. Mas, não sei. Talvez isto seja mais culpa da época do que de quem fez o figurino.