It’s the 90’s. It’s Hammer time!

Eu já vi tantas vezes os episódios de Seinfeld naquelas reprises da Sony que sequer lembro qual foi o primeiro que vi ou quando e como foi a primeira vez que vi esse ou aquele episódio. Revendo tudo agora, na ordem certinha, é que se consegue ver realmente como as características marcantes da série vão entrando aos poucos e se consolidando, ao contrário do que acontece na nossa memória, onde tudo parece sempre ter existido.

Nesse fim de segunda temporada, dá pra perceber o “FAIL George” se formando (pra mim, ele só aparece realmente no The Deal e se consolida aqui no The Baby Shower), as histórias começando a se entrelaçar (apesar de só chegar aos níveis clássicos bem mais pra frente) etc.

Esse não é um episódio clássico, nem um daqueles que se diga “GENIAL!”. Mas, como eu costumo dizer, a média de Seinfeld é o que as outras séries tentam alcançar com seus melhores episódios, sem sucesso.

O episódio começa com um bate-papo no Monk’s, onde Elaine conta que sua “amiga” está grávida. George fica injuriado, faz um monte de piadas com a profissão dela (ela é atriz), demonstrando todo aquele rancor George style. O que não é sem razão, pois essa tal de Leslie já foi num encontro com George, e como na maioria dos encontros dele, nada terminou bem. Saldo: uma camisa arruinada pelo chocolate que ela derrubou na performance e zero desculpas. Quando George foi tomar satisfações, agiu como um idiota (e que homem não age como um idiota perto de mulheres bonitas?).

Ainda nessa conversa, Elaine convence Jerry a emprestar o apartamento pra que ela dê um “chá de bebê” pra essa Leslie. Aqui vemos um pouco mais da Elaine “mal-resolvida” que apareceu no The Deal. Ela diz que precisa da aprovação dessa moça por alguma razão. Jerry cede o apartamento depois de confirmar que “chás de bebê” não terminam normalmente em “uma orgia com muito álcool e violência”. Essa primeira cena é essencial, já que a história principal sai daqui: George quer vingança. Ele vai arquitetar uma maneira de se vingar de Leslie mostrando sua camisa toda cheia de chocolate.

Como história paralela, temos Kramer oferecendo um “negócio da China” pra Jerry: TV a cabo ilegal. E naquela mesma vibe que teus amigos tentam te convencer a cometer um crime: “achado não é roubado”;  “ah, todo mundo sonega imposto de renda”; “não se preocupa, cara, ninguém é pego por estupro”. Os instaladores de TV a cabo são dois russos, segundo Kramer, fugiram do Gulag. É importante explicar uma coisa aqui pra algumas pessoas se situarem: assim como o lance da secretária eletrônica com fita cassete, essa é uma piada temporal.  Só depois da queda do muro em 89 que o mundo ocidental começou a conhecer os costumes daquelas terras (a União Soviética caiu em 91, ano em que esse episódio foi exibido originalmente). Russos ainda eram exóticos nessa época. (Essa TV a cabo ilegal do Kramer ainda volta em outro episódio, quem lembrar qual é, diz aí nos comentários).

Depois disso, vem uma das cenas que acho das mais legais em Seinfeld. Mas, sabe de uma coisa? Não vou comentar não. Vou deixar pra GALERE fazer isso nos comentários, afinal, essa resenha é pra ser só um ponto de partida pra boas discussões. E acho que essa cena é perfeita pra começar isso.