Eu nunca conheci um homem que soubesse tanto sobre nada.

Este episódio de Seinfeld – The Airport – deveria estar na videografia obrigatória de qualquer comediante, aspirante a comediante, redator de comédia, enfim, alguém que vive de escrever ou fazer humor. Duas características básicas da teoria da comédia são a repetição e o exagero. E, se os roteiristas de Seinfeld fossem dar uma aula sobre repetição e exagero, este episódio seria a aula.

O mote do episódio não poderia ser mais simples: Jerry e Elaine estão voando de volta para casa e pedem a George que os busque no aeroporto. Com esta ideia você faria um episódio inteiro, bem amarrado e engraçado do início ao fim? Nem eu, mas eles fizeram.

Pra começar, TODAS as cenas de repetição deste episódio possuem um nível altíssimo de exagero. Não são meras repetições de palavras e situações. Mas o exagero não nos soa estranho, tamanha a naturalidade do texto. A situação mais emblemática desta repetição é a situação do Kramer. No início do episódio ele vê um sujeito no aeroporto e o acha familiar. Logo depois ele descobre que aquele sujeito o deve duzentos dólares há vinte anos. E a partir daí ele tenta, a qualquer custo, reaver o dinheiro. E a solução pensada com ele é a pitada (e que pitada) de exagero da situação: ele compra uma passagem para poder entrar no mesmo avião que o sujeito, passagem esta que custou mais que duzentos dólares.

As cenas intercaladas de Jerry e Elaine respectivamente na primeira classe do avião e na classe econômica – devido a um cancelamento de emergência – são simplesmente sensacionais e repetem exatamente a discrepância exagerada entre a primeira classe e a classe econômica. E no final tudo isso se encontra para nos mostrar um fim que nos fazer pensar “putz! Só podia terminar assim!”.

Isso é Seinfeld.