Eu seria amigo do Stalin se ele tivesse uma mesa de pingue-pongue.

Este é certamente um dos episódios clássicos da série, cheio de chicotadas psicológicas que são puro ouro, no melhor estilo de Seinfeld.

A trama gira em torno de um amigo mala do Jerry, que insiste em forçar a amizade mesmo que os dois não tenham rigorosamente nada em comum, tirando o fato de terem morado na mesma vizinhança quando crianças.

E o cara é o maior cretino, totalmente autista. A cena dos dois na cafeteria eu acho que é uma das melhores nesse começo da série, com o Seinfeld inventando coisas absurdas só pra demonstrar que o amigão não presta a menor atenção no que ele diz.

Outra cena extremamente ‘vida real’ é o Jerry aproximando a cabeça do telefone enquanto tenta terminar a conversa com seu desagradável ex-amigo em atividade. Fica claro que esse sempre foi o principal apelo do humor do programa - você vê as coisas escrotas que eles fazem e ou já fez algo parecido ou já teve muita vontade de fazer. Como ter por perto uma lista de desculpas para não sair com um amigo desprezível, por exemplo.

O episódio é recheado de pérolas típicas do trabalho de Seinfeld e também de Larry David, que escreveram esse juntos. A trama do George no banco, tentando trocar milhares de moedas, não faz o menor sentido, mas é muito engraçada - embora, conforme o tempo foi passando, eles tenham passado a amarrar melhor essas pequenas gags dentro da trama.

Acho que o destaque negativo fica por conta do Kramer, que ainda estava muito fora do tom. Até aqui, ele ainda parecia um mané DEFAULT das séries de humor do começo dos anos 90. Do jeito que o Michael Richards tava fazendo, podiam ter até chamado alguém tipo o Jeff Daniels, tranquilamente. E o pior que a história do ‘faça sua própria pizza’ é muito boa.

De qualquer forma, acho Male unbonding um dos bons frutos da safra inicial da série. Coisa fina, certamente.