“Nunca faço isso. Você não é maluco, é?”

Como continuação de The Wallet, vocês conhecem a história: pitching, negociações, NBC, George sendo um loser mais uma vez.

O episódio começa em um restaurante, com Jerry, seus pais e Uncle Leo sendo os personagens de sempre. Para mim, são quatro malucos, cada qual a sua maneira. A mãe que quer “arranjar” o filho. O pai que quer sempre pagar a conta. Jerry, não necessariamente maluco, só obsessivo e blasé. E Uncle Leo… um chato-engraçado, típico parente que todo mundo tem.

A cena do restaurante é cortada para Susan dando más notícias a George: não aceitaram as “regras” que ele demandou. George, você não é o Ted Danson da época e Jerry não é Cheers. Como pessoa sem senso de julgamento, George não entende a recusa e o total cancelamento da proposta, e arruma o endereço do diretor da NBC. Muito confiante, esse Costanza.

Paralelamente, uma das melhores sequências do episódio ocorre: Elaine, que precisa se livrar do namorado/analista persuasivo, inventa que Kramer é seu novo amor. É nessa cena que vejo uma genialidade tão sutil: Kramer perguntando se já tinham consumado o ato, quantas vezes faziam etc, etc. “Analistas gostam de saber essas coisas, Elaine.”. Ela faz a cara-padrão de enfado e diz para que ele ligue logo. Mais uma sutileza: Kramer liga, o telefone está em espera tocando uma música: ele canta (por bastante tempo, até) junto. A segurança de Kramer é invejável. A segurança de George é triste e deprime.

Quando vai com Elaine encontrar o analista, ela espera do lado de fora. Crazy Joe Devola – o homem maluco que persegue Kramer e Seinfeld – aparece, com um semblante amigável, cantando. Elaine canta junto, ele para, eles trocam números. “Você não é um maluco, é?”. Aguarde, Lainie. Essa cena é linda porque vai além do roteiro: percebi um raccord. Elaine e Devola riem na rua; pula um corte seco para o analista rindo com Kramer, da mesma forma que os dois riam anteriormente. Seinfeld foi além do roteiro.

No restaurante, novamente, agora com uma cena bastante familiar entre os Seinfelds: Morty briga para pagar a conta, Jerry briga de volta e a briga parece nunca terminar. Essa termina, pois Morty ainda está sem a carteira, perdida no episódio anterior, The Wallet. Jerry cerca Leo no banheiro, tenta comprar de volta o relógio que ele encontrou no lixo. Só não percebi se lavaram as mãos depois.

Em outra cena, George “invade a casa” do diretor da NBC para renegociar, fazendo papel de idiota mais uma vez. Um papelão, um show de constrangimento que tanto amamos. Jerry é renegociada por 5 mil dólares a menos do que seria e, claro, ele acha que fez muito só por salvar a grande estupidez anterior (culpem Ted Danson e Cheers, de todo modo).

O episódio termina com os Seinfelds voltando pra Flórida, com George dando a “maravilhosa” notícia e com Jerry presenteando o pai com uma carteira. Fechamento redondinho: assim como Jerry jogou no lixo o relógio que seu pai deu no episódio anterior, Morty joga no mesmo lixo a carteira que o filho deu de presente. “Velcro? Tô fora.

7 Comentários

  1. Edson Morais
    Escrito 4 de dezembro de 2009 em 7:30 | Permalink

    Mais um clássico, 5 Jerrys sem dúvidas…
    Adoro a cena onde Elaine e Kramer combinam o que ele vai dizer ao psicoanalista..
    Também é muito legal a parte em que Elaine e Joe Davola cantam “Side by Side”, sucesso de Nick Lucas, gravada em 1944 eu acho. A versão que eles cantam se parece mais com uma gravada em conjunto pelo The Ames Brothers and The Mcguire Sisters do que com a original.
    Dificil votar em menos que 5 Jerrys para qualquer episódio da quarta temporada.
    Acho o uncle Leo fisicamente parecido com o meu avô Eurico, que faleceu ano passado. Impossível ver o uncle Leo sem lembrar dele.

    Abraço,
    Edson Morais

    • Edson Morais
      Escrito 9 de dezembro de 2009 em 16:13 | Permalink

      Kussik,
      encaminhei novamente um e-mail para o site, sobre a possibilidade de escrevas as resenhas de algum episódio. Fineza verificar se receberam.

      Grato,
      Edson

      • Escrito 10 de dezembro de 2009 em 10:16 | Permalink

        cara, fui ver lá e achei o que tava errado. acabei de corrigir e já vi que tá funcionando. pode mandar mais uma vez? :D foi mal, mas agora vai.

  2. Escrito 4 de dezembro de 2009 em 13:09 | Permalink

    Grande Vô Eurico! Saudades dele. Realmente são parecidíssimos.
    Eu não consigo deixar de rir do Kramer dando um sermão no psicólogo, com aquele jeito característico: “…If not, I can assure you, doctor, that I can make things very unpleasant for you and your staff. If you have one.”

  3. Escrito 4 de dezembro de 2009 em 13:11 | Permalink

    Procurando pelo diálogo do Kramer na net, achei este site: http://www.seinfeldscripts.com
    Dêem uma olhada!

  4. Debs
    Escrito 6 de dezembro de 2009 em 12:28 | Permalink

    Episódio clássico! As cenas do restaurante, da negociação e do Kramer no analista são hilárias. Mais uma vez o pessoal planeja ou faz alguma coisa, que não sai como o esperado. Jerry conta toda aquela história do relógio (e quem não teria feito o mesmo?) e acaba sendo pego na mentira. George usa e abusa de uma confiança que não tem, quase bota tudo a perder e acaba se humilhando por um contrato de valor menor; Jerry, surpreso, explica ao George que o objetivo de se negociar um contrato é p/ se conseguir outro de valor maior. (rsrs) Quanto a Elaine, sua idéia não funcionou tão bem, o Kramer até que teve boa vontade, foi lá e mentiu p/ o analista, mas tbém caiu em seus domínios

  5. Mário
    Escrito 6 de dezembro de 2009 em 21:28 | Permalink

    E no fim das contas que se deu bem foi Uncle Leo, que achou a carteira no lixo e estava “recheada” de dólares que Jerry colocou antes de dar ao pai, sem este saber…

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