Olhar um decote é como olhar pro sol, você não olha diretamente. É muito arriscado. Você dá uma olhadinha e vira pro lado.

Esse episódio trata de duas questões importantes: o poder do decote feminino na sociedade atual e o que define algo como engraçado.

A primeira que vamos discutir, e talvez a mais importante, é a que diz respeito ao decote.

O que um homem é capaz de fazer quando frente a frente com um belo decote? George quase comprometeu o piloto da série ao olhar fixamente pro decote da filha de 15 anos do chefão da NBC. Jerry avisou, isso não se faz, é preciso cautela nessa hora. Jerry é um cara controlado, um homem sério, um cidadão do mundo ciente dos truques que a vida prega. Ele olhou o decote, fixou a imagem no cérebro e virou o rosto, seguiu a vida, sem esquecer o que acabara de presenciar, com um sorriso infantil estampado na face. George, notoriamente mais fraco e sucetível aos pecados da carne, perdeu os limites. Olhou mesmo, abriu a boca, não piscou, babou, não pensou em outra coisa, tudo em volta ficou fora de foco. Ele estava errado? Quem pode culpa-lo? Atire a primeira pedra então. “Ah, mas era uma menina de 15 anos”, alguns poderão alegar. Sim, e eles sabiam disso. É pedofilia então, os dois poderiam ser acusados de tal crime? A resposta é simples e direta: fuck no. O decote está a parte, não conta, não deverá servir como prova. Mais tarde, nossa querida Elaine consegue reverter a situação usando a mesma tática e provando meu argumento. Talvez por nunca ter explorado tais atributos, ninguém acreditou em seus olhos quando Lainie foi devolver o catchup ao cara da NBC. Nem ele mesmo prestou atenção nela da primeira vez, como se aquilo não fosse possível. O decote independe da beleza do rosto, do peso, da idade, da cor da pele e do credo. Admirar um decote não implica segundas ou terceiras intenções, não é pecado.

A segunda questão que o episódio joga é: o que é engraçado? Por que as pessoas riem de certas coisas?

O mestre Ricky Gervais talvez tenha a resposta pra isso: empatia. Se você gostar da pessoa, se encontrar no humorista algo que o atraia, as chances de rir das piadas dele vão ser maiores. Você ri das piadas idiotas que o seu namorado conta só pra você, certo? Você fala coisas babacas pra sua namorada só pra ver ela dar risada e depois paga de “humor inteligente” pros amigos, né? É assim mesmo que funciona. Olha o Mr. Bean ou o Costinha ou até o Kramer. Você gosta das piadas deles ou das caretas que eles fazem? Quebrar essa barreira e rir de algo dito por alguém que você não gosta, é muito difícil.

O tema que Jerry e George escolheram pro piloto da série envolvia um mordomo. No começo do episódio eles estão escrevendo uma cena, e ela não tem graça nenhuma e os dois estão rindo mesmo assim, achando aquilo genial. E a série inteira é sobre isso. É mais fácil rir do piloto hoje, que você já conhece os personagens, do que foi na época, quando eles eram desconhecidos. Elaine tirando satisfação sobre os sapatos é mesmo engraçado? Claro que sim, é engraçadíssimo. Elaine está brilhante naquela cena do restaurante, mas eu já gosto dela, já vi ela um milhão de vezes, vou ver mais e sempre vou rir.

4 Comentários

  1. Edson Morais
    Escrito 15 de março de 2010 em 14:28 | Permalink

    Felipe, se me permite dizer, acho que você foi afetado pelos pedidos daqueles que queriam resenhas mais opinativas, analíticas… Claro que quero contar com a sua opinião, mas acho que você ainda precisa encontrar um meio termo entre resumo e resenha. Descrever um pouco mais as cenas torna a resenha mais engraçada, mais leve, uma vez que o brilhantismo da série está presente em suas cenas e situações mais absurdas.

    Acho a cena no apartamento do Russel fantástica. George mal conseguindo disfarçar seu intesse pelo decote da menina é muito legal.. Aliás, que decote. Denise Richars é linda, linda. A curiosidade é que naquela época ela tinha 22 anos, mas interpretando um papel de 15. Depois ela viria a se casar e se separar de Charlie Sheen.

    Abraço,
    Edson

  2. Escrito 18 de março de 2010 em 15:14 | Permalink

    SEINFELD foi tão criativa e inovadora q é difícil falar de seu melhor momento ou até mesmo da melhor temporada (embora a 3a e a 7a sejam as minha preferidas). No entanto, uma das sacadas mais divertidas foi esse arco da sitcom para a NBC. Metalinguagem usada na medida certa.

  3. Rafael
    Escrito 15 de maio de 2010 em 0:54 | Permalink

    Acho que a resenha está bem legal para quem viu o episódio. Talvez um pouco solta demais para quem não viu. Daí a pergunta: por que ler a resenha antes de assistir ao dito cujo?

  4. jv
    Escrito 31 de maio de 2010 em 17:49 | Permalink

    po, essas resenhas analíticas que são boas. se for pra ver um resumo do episodio, é melhor assistir logo.

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