“O que passou pela sua cabeça? Integridade artística? De onde você tirou isso? Você não é artista e não tem integridade.”

Comecei a ver Curb your enthusiasm faz um mês mais ou menos. É engraçado ver o Larry David fazendo as coisas que o George fazia. Quer dizer, é o espírito Costanza, mas com muito mais força. Larry é insuportável com aquelas manias, George não era nada perto do Larry David de Curb your enthusiasm.

Falo isso porque os episódios dessa semana – que apesar de serem dois episódios separados, foram ao ar como um especial de 1 hora – tratam justamente dessa relação realidade-ficção.

Jerry recebe o convite pra fazer uma série na NBC. Os executivos viram um show dele e acharam que podia ser uma boa ideia. E o que se sucede é uma situações memoráveis do George e eu não consigo não ver o Larry David de Curb your enthusiasm ali. Desde o começo, com aquelas ideias absurdas sobre o Jerry interpretar um professor de educação física ou ser dono de um antiquário que dá conselhos pros clientes, até o jeito que ele apresenta a ideia do “show sobre nada” pro pessoal da rede.

Em paralelo a isso, tem a história do Kramer com o Newman, uma das minhas favoritas. Kramer pegou um capacete em troca de um detector de radar com o Newman. E esse capacete é muito engraçado porque não faz nenhum sentido nenhum dos dois ter um capacete. Newman diz que era de uma namorada mas eu não sei se acredito. E o Kramer nem tem moto nem nada, ele só tem um capacete. Isso é demais. Depois várias coisas acontecem, Newman é multado porque o detector não funcionava e o Kramer leva um chute na cabeça e acaba salvo pelo capacete. É uma trama que não faz sentido mas é engraçadíssimo. Kramer fica meio maluco e solta uns Yo-Yo Ma do nada.

A primeira reunião de Jerry e George com os caras da NBC é absurda. George passa dos limites com a ideia de a série não ter história nenhuma e sugere que Jerry poderia passar um episódio lendo um livro, por exemplo. O cara da NBC pergunta “Ler? Por que alguém veria isso?” e o George responde “Porque está na TV”. Resumiu muita coisa. E eles vão muito mal, Jerry ainda tenta dizer que teriam algumas histórias, eventualmente, mas o George tá fora de si.

E acaba que no final do episódio eles conseguem um contrato pra produzir um piloto. E essa trama vai até o final da temporada, se não me engano. Talvez mais. Mas acho que é a primeira temporada que tem uma trama acontecendo na maioria dos episódios.

Elaine não participa, por causa da gravidez da Julia. A desculpa é que ela estava viajando pela Europa com o psiquiatra.

Outra coisa importantíssima desse episódio: Susan, a namorada mais clássica do George. Gosto muito dela, desde esse episódio já.

Uma coisa que eu não gosto é aquela cena que o Jerry atende o telefone e responde o tele-atendente de um jeito malandrão. Acho sem graça aquilo.

E uma última observação sobre Curb your enthusiasm, e gostaria da opinião dos amigos nessa. Não sei como é na vida real, a relação Jerry/Larry, mas o que eu percebi nesse episódio é que Jerry faz, muitas vezes, o papel que a Cheryl, esposa do Larry, faz em Curb. É diferente do Jeff ou do Richard Lewis. Jerry parece aguentar as pentelhações do mesmo jeito que a Cheryl aguentava.

4 Comentários

  1. Edson Morais
    Escrito 21 de novembro de 2009 em 11:17 | Permalink

    Kussik, antes de comentar o episódio, queria que dizer comprei o War II ontem e vou jogar hoje com alguns amigos… rs.

    Ótimo episódio. A primeira grande cena é o diálogo entre Jerry e George na Cafeteria, quando após discutirem sobre Salsa ou Seltzer o George diz que o show poderia ser aquilo, “apenas diálogos”… esta cena pra mim é antológica, no nível da cena final de “Marine Biologist” e, se eu fizesse a resenha deste episódio, provavelmente colocaria uma frase deste diálogo para ilustrar.
    Vale destacar também a incrível cena do Newman no tribunal, relatando ao juiz os motivos que o fizeram ultrapassar os limites de velocidade… perfeito.

    Toda a cena com os executivos da NBC também é impagável. Antes de entrarem, quando George diz: “São homens com emprego Jerry. Eles são casado e têm secretárias”. Depois, dentro da sala, com o George abandonando a reunião dizendo “… eu me recuso a comprometer a minha integridade artística. E lhes digo mais: este é o show e nós não o mudaremos”, encerrando com aquele estalar de dedos tão típico.

    Esta é a minha temporada favorita e a primeira que comprei em DVD. É clássica, sem um episódio menor…

    Abraço,
    Edson

  2. Debs
    Escrito 22 de novembro de 2009 em 10:44 | Permalink

    Gosto da metalinguagem usada nesta temporada. Um comediante que interpreta ele mesmo em uma série, produz, nesta série, outro seriado em que interpreta ele mesmo novamente, sendo que esta série que esta sendo produzida, é o próprio Seinfeld, o seriado “sobre nada”. Agora, o George participando das negociações era de se esperar que os resultados não fossem dos mais positivos. É sempre muito engraçado quando o George mente, e quando ele conta a história de ser um escritor alternativo para os executivos da NBC, ele prova mais uma vez a cara de pau que tem.

  3. Escrito 24 de novembro de 2009 em 10:37 | Permalink

    Este episódio é muito bom!
    Continuando aquela parte mencionada no texto, quando questionam George por que alguém assistiria ao programa, ele diz “porque está na tv”. Eu achei muito bom o comentário do Dalrymple: “Not yet!”. Do tipo: Eu mando aqui.
    Quanto à cena do tele-marketing, esta é antológica. Acho que todos teriam vontade de fazer aquilo.

  4. Daniel
    Escrito 24 de novembro de 2009 em 14:04 | Permalink

    Cara, nessa última temporada de Curb, com o cast de Seinfeld, mostra que a relação Jerry/Larry é a mesma que Jerry/George. É até estranho notar Larry e Jerry juntos contra Jason Alexander. E nas outras temporadas eu acho que a relação Jerry/Larry fica mais na parte Larry/Jeff (seu empresário).

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