“O que há de errado com esta comunidade? O que leva vocês a esse comportamento? É a umidade? É a muzak? São os tênis brancos?”

Não é apenas a completa ausência de George e Kramer que fazem deste um episódio atípico da série, mas principalmente o clima sufocante de pesadelo que Jerry e Elaine enfrentam na Flórida, em viagem com o propósito duplo de participar de uma homenagem ao pai de Jerry e curtir um mergulho.

Evidente que os planos azedam rápido, principalmente quando as convenções sociais dos velhinhos da área – um lugar talvez ainda mais alucinado que toda a cidade de Nova York – colocam a dupla em apuros de um patetismo épico, mais bem representado pela tal caneta do título.

Jerry nota a caneta do vizinho (“é uma caneta de astronauta, escreve de ponta cabeça“), que a oferece a Jerry sem que ele a tenha pedido ou ao menos elogiado. Um insiste em dar, o outro insiste em não aceitar. Jerry finalmente aceita, para desespero de sua mãe, que sabe o que aquilo significa: o vizinho vai contar vantagem no bairro inteiro sobre como o filho do Sr. Seinfeld praticamente implorou por sua caneta de astronauta. Diante dos personagens do lugar, essa perspectiva realmente nos deixa aterrorizados pelos Seinfeld. Mais tarde, Jerry devolveria a caneta, num gesto que agrava a crise diplomática.

As negociações disfuncionais se repetem quando Jerry e Elaine insistem em dormir em locais pouco adequados para que os pais de Jerry, que se oferecem para ir domir num hotel, não se desloquem. Elaine se sai pior e dá um mau jeito nas costas, alongando a estadia e arruinando o passeio (que Jerry leva adiante e, claro, se dá mal também).

Toda essas angústias convergem para o dia da tal homenagem para o pai de Jerry. Elaine, completamente chapada com um relaxante muscular para aliviar a dor nas costas, fica transtornada ao conhecer Stella, a esposa do grande tio Leo (sua 2ª aparição; viraria figura fácil na série), e começa a gritar “STELLAAAAAA!”, numa hilária referência a “Um Bonde Chamado Desejo“. Na hora da homenagem, o rancor em torno da tal caneta ressurge, num daqueles raros momentos em que Jerry, mesmo em situação desfavorável (o que é frequente na série), se vê completamente incapaz de reagir verbalmente à altura. Sua solução, de contar a piada do amendoim no avião, é rechaçada sem misericórdia pela platéia, que não voa de classe econômica e recusa a premissa logo de cara.

Apesar de poucos one-liners dignos de nota, é um episódio de bons momentos. Mas convenhamos: a ausência de Kramer e, sobretudo, de George pesa demais. Diz a lenda que Jason Alexander disse pro Larry David que ia se demitir se fosse excluído de outro episódio desse jeito. Sabia tudo.

8 Comentários

  1. Guilherme Couto
    Escrito 25 de junho de 2009 em 12:07 | Permalink

    Gosto de episodio, só ja vi tanto q passou a ser meio chato ¬¬’

    Mais nao deixa de ser um bom episodio, é como vc disse sem o George e o Kramer perde um pouco a graça.

    4 Jerrys.

  2. Irio Pinto
    Escrito 26 de junho de 2009 em 6:52 | Permalink

    STELLAAAAAAAAAAAA! A Elaine chapada é demais eo Seinfeld ficar sem saber o que fazer e tentando contornar a situação com a piadinha é comica.
    Verdade que a ausencia do George e do Kramer condicionaram o episodio, mas ele é bom.

  3. Kowalski
    Escrito 26 de junho de 2009 em 10:23 | Permalink

    Lógico que Kramer e George fazem muita falta, mas nesse episódio isso é, em parte, contornado pela presença mais longa dos pais de Jerry. Adoro como a série retrata os pais (também os de George) como figuras “excêntricas”, para se dizer o mínimo. E todos nós por vezes não temos esta percepção em relação a nossos próprios pais? O comportamento da sra. Seinfeld diante da temperatura é hilário.

    E como Julia Louis-Dreyfus está linda nesse episódio. E engraçada. A cena dela implorando para ligarem o ar condicionado é muito boa.

    • Daniel Lima
      Escrito 26 de junho de 2009 em 10:55 | Permalink

      Sem dúvida, dá essa sensação de substituição mesmo, ainda que eu tenha a impressão de que o comportamento dos pais do Jerry é, basicamente, o mesmo em quase todo mundo na comunidade de aposentados onde eles vivem. Falta, portanto, o charme paranoico que só o George e o Kramer têm.

  4. Escrito 26 de junho de 2009 em 21:21 | Permalink

    Esse é um dos meus episódios favoritos! Entra no meu top 10, mesmo sem Kramer e George…
    Os pais do Jerry são figuraças! Eles discutindo, implicando, a rivalidade com os Klompus…
    A história da caneta, sempre repetida durante a série, algo tão banal que se vira uma enorme bola de neve no final…
    A minha parte preferida é a da Elaine: STELLAAAAAAAA

    Enfim, uma simples visita aos pais se transforma numa guerra entre os idosos da comunidade…

  5. Escrito 26 de junho de 2009 em 23:41 | Permalink

    Não é só a falta do Kramer e do George que muda, em The Pen, a estrutura típica dos episódios da série. O que mais me chamou a atenção foi que basicamente só existem três cenas nesse episódio. Ficou parecendo mesmo uma peça de teatro. A primeira cena é a longa sequência no apartamento dos Seinfeld (mesmo com o intervalo de uma noite, e em alguns momentos algumas pessoas entrando, boa parte do episódio se resume aos quatro personagens sentados ou andando na mesma sala, discutindo trivialidades). Isso não é o mais comum de acontecer nos episódios de Nova Iorque, em que as cenas do apartamento do Jerry sempre são ladeadas por cenas no restaurante, no cinema, no trabalho etc. A outra cena é a da cerimônia. O episódio termina novamente no apartamento, mas aí também é a mesma coisa: todo mundo sentado ou andando, discutindo trivialidades.

    Gosto muito neste episódio de um detalhezinho de nada: a cara da Elaine, na hora que a mãe do Jerry está brigando com ele por ele ter aceitado a famigerada caneta. Por umas duas ou três vezes a Elaine aparece, lindamente perplexa, rindo sozinha da situação. Outro momento isolado do episódio que é perfeito em termos de diálogo cômico é quando o Morty lança a pergunta no ar “Why should I be comfortable?”

    E temos o extraordinário Jack Klompus. O mais engraçado que ele fala é quando ele insiste com o Jerry para que ele aceitasse a caneta: Do me a personal favor… take the pen!”

  6. Bruno Guimarães
    Escrito 13 de setembro de 2009 em 11:28 | Permalink

    Esse episódio é um de meus favoritos, mesmo sem Kramer e George. A razão disso é Jack Klompus. Acho hilário ele falando: “Take the pen. Go ahead. Come on, take the pen! Do me a personal favor!”. E no final, a frase clássica de Jerry: “All I said was I liked the pen!”

  7. Leonardo Goulart
    Escrito 31 de outubro de 2009 em 13:42 | Permalink

    Eu gosto muito da comunidade dos idosos. São todos figuraços, como aliás muito velho costuma ser.

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