“Eu não gosto nem de sentar ao lado de um homem no avião, porque nossos joelhos podem se tocar.”
Amigos, é a terceira temporada. A primeira temporada de verdade. Esse primeiro episódio, The Note, é do George. Não temos flashbacks dele, nem nada. Mas ele rouba a cena, fato. O caso é que ele recebe uma massagem de um massagista homem, Raymond, e fica com medo de ser gay.
As duas primeiras cenas são fantásticas. Na primeira, Jerry está recebendo uma massagem. Ele está muito relaxado, conversando com a massagista sobre qual seria a pior coisa em ser cego (ele diz que a pior coisa seria não poder ver se haveriam insetos na comida). Aí ele conta um caso de um garoto que foi sequestrado e a massagista fica paranóica achando que ele é um maluco sequestrador.
Depois, no apartamento, ele está contando o caso pra Elaine. Essa cena é demais. George também está lá, procurando comida na geladeira. Os três estão lá, interagindo, mas cada um está concentrado numa coisa diferente. George está na geladeira, reclamando que ela está vazia; Jerry está contando a história da primeira cena, da massagista que ficou noiada, pra Elaine; Elaine está ouvindo a história do Jerry, mas querendo contar uma outra história que ela tinha lembrado. Taí uma lacuna da sociedade. É muito rápido, mas numa pausa do causo do Jerry, Elaine fala empolgada “ah, lembrei de uma história pra contar”. Jerry diz que ainda não tinha terminado e todo mundo sabe que quando isso acontece, você perde a concentração. Os três focam no mesmo assunto quanto Jerry diz ter um canal pra conseguir massagens de graça.
Essa do George achar que é gay é engraçadíssima. Um cara vai fazer massagem nele e ele sente um “movimento” lá embaixo. Ao contrário do Jerry, relaxado recebendo a massagem da mulher na primeira cena, aqui George está completamente imobilizado pela situação de ter um homem tocando nele. E ele fica paranóico até quando o médico do Jerry pergunta o que ele acha do Evander Hollifield.
Eu, por exemplo, acho que comprar desodorante é uma das coisas mais gays que um homem pode fazer. Por isso, eu sempre compro o mesmo, um que a Ju gosta e pronto.
Outra coisa legal desse episódio, e que acabou se tornando um tema recorrente na série, é o Kramer ver (ou achar que viu) uma celebridade. Aqui ele acha que viu o ex-jogador Joe DiMaggio comendo rosquinhas num lugar lá perto. A análise que ele faz do cara comendo a rosquinha e a comparação com o modo como ele jogava são brilhantes.
Ainda teve o canal do Jerry, um dentista (?), sendo investigado por fraude do plano de saúde, outro tema recorrente. Mais uma coisa que sempre acontece na série: alguém se dá muito mal por causa de um favor. Em Seinfeld, sempre quem faz um favor, acaba se dando mal. A lição é, então, nunca faça favores a ninguém.
Falei que o episódio é do George, mas pensando bem, talvez não. Apesar de não ter tanto destaque, Elaine e Kramer tem momentos sublimes. Elaine, quando está discutindo com o George sobre quem vai receber a massagem do cara (ela acaba indo com uma mulher) e Kramer batendo na mesa pra chamar a atenção do Joe DiMaggio. Jerry está como sempre.
Belo começo de temporada.
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4 Comentários
O George falando ‘it moved’ é um dos seus grandes momentos de criação de um bordão, acho q só perde pro ‘shrinkage’. E o Kramer batendo na mesa no final do episódio me faz chorar de rir até hj. Acho q é o primeiro episódio q fala de algo gay entre os personagens né? Mal sabíamos que depois viria o ‘not that there’s anything wrong with that…’
Abs!
Realmente o Jerry tem um tato social “incrível”…
O problema não foi ter comentado sobre o garoto sequestrado, mas sim deixar a mulher paranóiíca falando que qualquer um pode ser um maníaco inclusive ele próprio e depois perguntando detalhes do filho dela…
A cena em que eles se reencontram na clínica é hilária: “Run Billy! Run to the office and close the
door!”
George paranóico com a possibilidade de ser gay é demais!
Kramer e Elaine estão ótimos tb!
Enfim, um grande episódio!
A abertura e o fechamento do episódio feito pelo Seinfeld tambem sao muito bons.
O Kramer batendo na mesa e gritando é fantastico, e pra mim um dos melhores episódios do George.
Jerry como vc disse, esta como sempre, e Elaine tambem nada demais.
Grande episodio.
É o que eu ia dizer: a cena da Elaine debatendo com o George quem vai ter a massagem com quem é uma das melhores do episódio (que, aliás, me pareceu muito bem acabado do início ao fim). No fundo, no fundo, o engraçado dessa cena não é tanto o desconcerto do George e da Elaine para com o massagista homem, mas o desconcerto do George e da Elaine, dele para com ela, e dela para com ele. Os roteiristas, eu acho, sempre têm o cuidado de explorar com comedimento as situações extremamente cômicas que surgem quando o George e a Elaine se encontram numa circunstância em que o Jerry não esteja presente. Eu acho ótimo o resultado desse comedimento, que não vulgariza essa parceria que é tão engraçada.
Mas por falar em instantes fugazes de humor, o George não se sentando quando ele escuta o nome Raymond como sendo o do seu massagista, esse também merece o nosso reconhecimento.
O meu momento predileto do Kramer, falando agora do Kramer, é quando ele vai caçoar o George: — “A stall man, huh?” É logo depois do George explicar que ele não gosta de se sentar perto de um homem num avião e de completar a descrição da sua fobia dizendo que ele nunca gostou de usar urinol e que ele sempre foi um stall man. O Kramer se vira perplexo e encara rapidamente o George. Momentos depois, mostrando que aquilo ficou em sua cabeça, ele chega para o George, com aquele jeito despachado de sempre: – “A stall man, huh?” Fica claro o contraste entre o George, que reclama sozinho e em voz alta, mesmo quando ninguém está prestando atenção, e o Kramer, que mesmo sem dizer nada a princípio, mantém um pensamento fixo numa coisa até o momento oportuno de externar aquilo que o está incomodando.
Acho que nos comentários do DVD eles falam — mas nem precisaria, porque a coisa é imediatamente perceptível para os que acompanham a série –, neste episódio eles fizeram um experimento com a música que toca no início e no fim do episódio. Uma vozinha estridente aparece com uns gritos. Não é nada legal. Tanto que logo eles tiraram.