– Eu não entendo arte.
– Não tem o que entender.
– Não, sempre alguém tem que explicar pra mim, e aí eu preciso de alguém pra explicar a explicação.
Imagine se você fosse convidado para ver um jogo do campeonato brasileiro no camarote do presidente do Flamengo, e aparecesse por lá usando um boné do Atlético-MG. Se alguém lhe pedisse para tirar, você o faria? Se fosse a Elaine Benes, com certeza não. Esta é uma das histórias do episódio “The Letter”, da terceira temporada de Seinfeld. Elaine, George e Kramer vão a um jogo de beisebol como convidados do pai da namorada de Jerry, que trabalha para o presidente dos Yankees. Só que Elaine vai com um boné dos Orioles, um time de Baltimore. Ao se recusar a tirá-lo, acaba expulsa. Como muitas das histórias do seriado, esta também foi baseada em uma história que realmente aconteceu com o co-autor Larry David.
A história principal, que dá título ao episódio, é sobre mais uma das namoradas de Jerry, uma pintora, interpretada por Catherine Keener, que anos depois seria duas vezes indicada ao Oscar por suas atuações em “Quero ser John Malkovich” e “Capote”. Depois que Jerry termina com ela, por causa da confusão causada por Elaine e seu boné, ela escreve uma carta para ele, que o fez reatar o namoro. O problema é que o texto foi copiado da peça “Chapter two”, de Neil Simon. A maneira como Jerry vai confrontá-la é puro Seinfeld.
Mas para ser sincero, o que mais chamou a atenção ao rever o episódio foi uma informação que aparece quando se assiste o DVD com a opção “notas sobre o nada” ativada. Nela, Jerry diz que começou a notar como outros seriados começaram a incorporar o estilo dos diálogos sobre nada de “Seinfeld”. E vai além, dizendo que os diálogos de “Pulp fiction” entre John Travolta e Samuel L. Jackson, poderiam perfeitamente ser uma das conversas entre ele e George. E realmente tenho que admitir que as dicussões entre Jules e Vincent, como a sobre o “royale with cheese”, parecem ter sido escritas por Larry David e Jerry Seinfeld.
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3 Comentários
Interessante o comentário sobre Pulp Fiction… E, pensando bem, até Reservoir Dogs tem alguns diálogos bem Seinfeld – como, por exemplo, aquela conversa no diner em que o sr. Pink explica porque não dá gorjeta.
Não vi o episódio com as notas sobre o nada. Mas revi Pulp Fiction bem recentemente e sabe que pensei mesmo em alguns diálogos entre Travolta e Jackson que aquilo era muito Seinfeld! Aquela discussão sobre massagens nos pés, o diálogo sobre animais mais ou menos sujos, vários são neste estilo de conversas sobre o “nada”.
Mas será que Jerry Seinfeld aprova o monólogo sobre Clark Kent/Super-Homem em Kill Bill?
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