“Por que eu compro bananas? Elas só duram um dia…”

Quando fui escalado (ou, err… me escalei) para minha estreia no movimento Seinfeld, com o episódio The Junior Mint, senti uma certa aflição. Esse deve ser um dos episódios que MENOS vi na vida, possivelmente menos do que cinco vezes, o que é uma cifra mínima em minha história de fã. Mas essa falta de familiaridade com o episódio sumiu quando botei o DVD e a primeira cena do episódio aponta o “plot” de Jerry e sua namorada, cujo nome “rima com uma parte da anatomia feminina” (da qual ele não se lembra!). Esse plot é, pra mim, o mais importante (e melhor) do episódio, e que se torna vítima de uma grande injustiça: não vingou como título. Mas rendeu momentos hilários.

“Mulva” é, talvez, uma das palavras mais memoráveis de todos os episódios de Seinfeld para mim… E não é apenas o nome, é a entonação com que Jerry fala “Mulva” ao tentar chutar o nome de sua “date”, com o cantinho da boca, diminuindo e esticando o som ao final da palavra, como quem não tem certeza do que está falando! Hilárias também são as situações criadas por Kramer e George para ajudá-lo na tarefa de fazê-lo lembrar o nome dela, todas infrutíferas. É interessante ver o desfecho do plot, com a revelação do nome da dita cuja, um nome tão esquecível quanto perfeito para a rima. Não lembra do nome? Clique aqui e veja a cena final! :-)

Além desta situação, tenho que (protocolarmente) destacar o próprio plot do Junior Mint: uma situação em que Kramer e Jerry assistem a uma cirurgia em uma sala de operação/sala de aula prática de medicina e deixam cair uma bala DENTRO da barriga aberta do paciente. Esse é o tipo de comédia “física” que menos me agradou em Seinfeld ao longo dos anos, muito adequada para o hilário Kramer, mas menos interessante pra mim, que curto mesmo os diálogos ácidos e situações possíveis. Talvez eu seja criticado por isso, mas os diálogos de Seinfeld estão para o sitcom como os de Quentin Tarantino estão para o cinema.

Apesar de o argumento central de The Junior Mint ser um tanto improvável, o que foi reconhecido por seu roteirista principal nos extras do DVD, a execução foi muito boa. Cenas memoráveis merecem destaque, como a discussão entre Jerry e Elaine sobre Poconos (Jerry se fazia de namorado de Elaine, que não queria parecer interessada pelo paciente do episódio, outrora muito gordo) e o choro de George (um tanto afastado desse episódio) ao assistir Esqueceram de mim. E uma das cenas com frase clássica de Kramer, em que ele está decidido a reformar seu apartamento para ficar cercado de madeira (papel de parede e formipiso), completando profeticamente a Jerry: “Wood, Jerry. WOOD!“.

Enfim, The Junior Mint normalmente figura em listas de top 10 episódios de Seinfeld. E rever esse episódio certamente me ajuda a lembrar o porquê de minha adoração pela série!

3 Comentários

  1. Escrito 15 de abril de 2010 em 11:24 | Permalink

    É um dos meus episódios favoritos também, revi essa semana. Injustamente está em 41º na lista de melhores episódios de Seinfeld que mantenho.

    O “Mulva” é bom demais. É daquelas expressões que pegaram da série, junto com “No soup for you”, “Not that there’s anything wrong with that”, etc…

    Boa resenha!

  2. Danilo
    Escrito 23 de abril de 2010 em 11:31 | Permalink

    O genial neste episódio é como o roteiro consegue tratar da “inabilidade masculina” em relação ao sexo feminino usando o sutil artifício do nome esquecido. O Jerry faz o papel do homem que desconhece a anatomia feminina em sua maior particularidade, conseguindo imaginar o máximo da anatomia feminina com o “mulva”, esquecendo-se por completo do “dolores”, como muito homem por ai :)

  3. Edson
    Escrito 7 de maio de 2010 em 14:02 | Permalink

    A cena em que George vai falando os nomes para Jerry ver se lembra é uma das melhores de Seinfeld em todos os tempos. Muito bem feita… “Lo le o la”… muito bom.

    Adoro a idéia do Kramer sobre o nome de seu filho caso um dia ele venha a ter um: “Isosceles Kraemer”. Alguém aí consegue imaginar o filho do Kraemer?! Será um bebê com o cabelo todo pra cima?

    George se deu mal mais uma vez quando tentava se dar bem de forma fácil. Muito bom!

    Abraço,

    Edson Morais

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