“Você não é médico, mas você interpreta um na vida real”

O que eu gosto nesse capítulo é o fator HUMILDADE que PERMEIA a série – em especial, essa segunda temporada. Humildade no que diz respeito ao Jerry não ter uma trama assim tão importante. Fica claro que o personagem principal nesse episódio é o Costanza, com seu “ataque cardíaco”. Às vezes eles estavam tentando construir os outros personagens, às vezes eles não sabiam exatamente o que fazer com o Jerry, ou às vezes eles só estavam optando pela história mais engraçada que pudesse ser contada na semana. Aliás, a própria “trama” do Jerry é muito engraçada, embora dure poucos minutos, se tu for TOTALIZAR.

Kramer não tem uma trama própria dele – ainda não havia chegado o momento em que todos tinham histórias que se cruzavam e completavam quase sempre – mas a sugestão que ele dá para o Costanza de procurar um CURANDEIRO, além de deixar claro esse personagem OUTSIDER, UNDERGROUND e SUBVERSIVO que é o Cosmo (a gente ainda não sabe que ele chama Cosmo. Taí em PRIMEIRA MÃO), serve como mote para o resto da trama, onde a gente pode ver o Jerry usar muito do CINISMO com charlatões, bem como o humor “sou amigo mas tô te zoando como se nem ligasse para ti” aplicado com o Costanza, que é uma coisa muito bonita que rola pela série inteira. O mais legal – e gay – é tu pensar que o George não tem nenhum amigo que compraria os barulhos dele como o Jerry faz. E o Jerry por sua vez, embora faça pouco caso do Costanza, FECHA COM ele porque precisa de alguém que precise tanto dele assim a ponto de não ligar para ser constantemente ZOADO. MOCKED. MOCADO.

Cunhei essa agora: MOCADO.

A trama da Elaine não importa muito, mas ela tá lá sendo a Marie Benes PAQUERADEIRA de sempre.

Abraço a todos os envolvidos, Larry Charles nas canetas e Tom Cherones nas câmeras.

2 Comentários

  1. Escrito 7 de maio de 2009 em 23:36 | Permalink

    Episódio que me parece histórico num ponto bem particular: é a primeira vez que Kramer faz referência ao Bob Sacamano. Ou estou errado? Só sei que o Kramer alerta o George para o perigo de se deixar operar num hospital porque quando o Bob foi fazer isso o resultado não foi nada bom – Bob teria virado um high talker por causa de uma cirurgia de hérnia.

    O que me pareceu bastante normal neste episódio, mas que se pararmos para pensar nós vamos ver é que totalmente incomum, o Jerry aparece preocupado em arrumar material para as suas apresentações. Primeiro, tentando decifrar o que ele tinha escrito no caderninho que ele deixa ao lado da cama para anotar piadas – e nós sabemos que ele escreve mesmo na cama, pois ele diz isso naquele episódio (The Pen) em que ele está na Flórida e ele elogia a caneta do Jack Klompus, porque com ela ele poderia escrever virado para cima. Depois, acompanhando o George na consulta ao curandeiro (se bem que aqui o Ronald tenha notado bem que no fundo, no fundo, o Jerry estava ali por causa do amigo George). Mais para frente, em todo caso, nós não veremos com tanta ênfase e frequência o Jerry se esforçando para inventar as suas piadas.

    Nota: de onde eu venho a expressão “mocado” – ou “mocar” – é largamente utilizada para aludir a algum objeto sorrateiramente escondido. Por exemplo, uma nota de 50 mocada no sapato (nem tanto sorrateiramente assim, né?). Outro exemplo, uma carta de Magic: The Gathering mocada no meio do deck. “Mas aí veio o Ritual Sombrio que eu tinha mocado e me salvou!”

  2. Bernardo Zirpoli
    Escrito 17 de maio de 2009 em 2:53 | Permalink

    Pô, primeirão de Bob Sacamano. Já vale pela referência.

    Esse lance de ter umas sacadas dormindo é realmente interessante e é algo que eu me identifico. Mas o que eu mais me identifico é depois ver que não tem a mínima graça ou lógica.

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