“Eu devia estar completamente fora de mim! Olhe para você. Por que você não faz alguma coisa com sua vida? Você fica sentada o dia todo. Não contribui em nada para a sociedade; você está apenas tomando espaço. Com eu pude ficar com alguém como você? Eu não me respeito.”
Imagine o impagável Kramer vociferando as palavras acima, com todo o seu gestual e caretas característicos. Um dos melhores rompimentos de namoro da história da TV. Mas como se trata de Kramer, na cena seguinte ele já está arrependido e pedindo para voltar para a namorada.
Apesar desta não ser a trama principal do episódio chamado “The dog”, o quarto da 3ª temporada a ser exibido (mas foi o terceiro a ser gravado), para mim é a melhor parte. Com detalhe que antes de terminar/voltar com a namorada, Kramer avisou Jerry e Elaine. E foi veemente: “Sabe quando tem algumas pessoas que você se preocupa em não magoar? Com ela, eu estou ansioso por isso. Gostaria de gravar em vídeo. Assistir em câmera lenta e pausar“.
Jerry e Elaine, claro, detonaram a menina (que só aparece de costas e não fala em momento nenhum), chegando a dizer que não sabiam como alguém ainda não tinha matado. Quando Kramer volta com ela, para de falar com os dois. Mas no final do epsiódio, ao terminar definitivamente com a insuportável criatura, faz as pazes com os amigos.
Mas a história principal, obviamente, gira em torno de um cachorro. Que não aparece na tela. Apenas se ouve seus latidos (feitos por Tom Williams, ator/apresentador australiano). O cão, chamado de Farfel em referência a um boneco dos comerciais de Quik, vai parar na casa de Seinfeld após seu dono passar mal em um avião ao lado de Jerry. A cara de Seinfeld totalmente desiteressado do estado de saúde do cara que está quase morrendo ao seu lado é impagável. Apesar disso, ele concorda em tomar conta do bicho até que o dono saia do hospital.
Só que o cara sai do hospital e desaparece. Deixando Seinfeld com o insuportável cachorro, que não para de latir e morder coisas. E atrapalhar os planos de Jerry ir ao cinema com Elaine e George ver o filme “Prognosis Negative“, que assim como “Rochelle, Rochelle“, não existe. Quer dizer, nunca foi filmado. Mas existe um roteiro de Larry David com este título. A história é sobre um homem que recebe o resultado de um exame como negativo, e pensa que isso é uma coisa ruim.
Sem Jerry, George e Elaine são obrigados a sair juntos. E descobrem que não nada em comum ou sobre o que conversar. A não ser sobre Jerry. Ou melhor, fazer piadas sobre Jerry.
No final, o dono aparece antes que Seinfeld mande o cachorro para o depósito público e tudo volta ao estado (a)normal de sempre.
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6 Comentários
Por acaso a melhor cena do episodio é o Kramer dando o fora na mulher e depois implorando para voltar, ehhehehe, e o caso deo Jerry e Elaine zoando com ela ao saber k ele ia romper é mais uma das coisas k acontecem no nosso dia dia , amigo diz k vai acabr com fulana a gente mete o pau e depois eles acabam ficando e kem se estrepa somos nós, mesma coisa para o caso do George e Elaine não terem assunto quando estão sozinhos , por isso e muito mais Seinfeld é Seinfeld!
O mais curioso é que o texto da bronca que Kramer dá na mulher poderia ser dito por qualquer outra mulher para ele. Aliás, para ele, George ou Jerry. Vou dar um desconto para a Elaine porque ela tem emprego fixo.
Adoro essa parte em que George e Elaine saem e descobrem que não tem absolutamente nada em comum, a não ser a amizade com Seinfeld. Isso acontece tanto na vida real!
Conheci o site (e o projeto) hoje, adorei a ideia! Vou providenciar os próximos episódios para poder acompanhar a discussão.
Que cachorro mais fake…hahahahaha
Tirando a trama que dá título ao episódio, gostei bastante!
Kramer terminando com a namorada é clássico!
E quando Jerry e Elaine metem o pau na tal Ellen, Kramer pergunta por que eles nunca falaram nada e Jerry responde que não se fala mal da namorada do amigo, o diálogo segue:
Kramer: “I tell you”
Jerry: “You. I’m talking about people”
Também gosto da definição que a Elaine deu para a relação dela com George: friends-in-law, e quando ficam sozinhos só se divertem tirando sarro de Jerry, impagável!
A cena em que Kramer termina e depois pede perdão para a namorada pode ser vista como um diálogo com a própria TV ou os espectadores. Funciona como uma crítica sutil ao ato de ver TV. Algo que só Seinfeld faria com essa categoria
Bom, eu vou listar os meus momentos favoritos, elogiando desde já o post, que foi uma excelente resenha.
- George se levantando da cadeira, num acesso de riso, quando ele e a Elaine estão imitando o Jerry vomitando
- A Elaine cruzando os braços quando ela se vê sozinha na sala com o George, enquanto o Jerry está no banheiro. Que guria mais legal, nossa senhora. Ela respondendo ao George que eles já tinham conversado sobre como o Jerry faz para vomitar, daquele jeito frio e impaciente, essa parte também me diverte. Depois ela combina de sair com o George para conversar sobre como eles não têm nada a conversar.
- O Jerry dizendo que ele poderia ser a seção de esportes do jornal mesmo que o cabelo dele estivesse pegando fogo. Essa é uma das frases que desde que eu assisti ao episódio pela primeira vez eu sempre me lembro com alegria. Esporte não é muito comigo, mas eu sempre gosto de pensar que uns velhinhos que eu vejo na rua lendo a parte de esportes são, ou um dia foram, reis da comédia como o Jerry. Na fila do cinema, o George induzindo o Jerry a fazer uma leviandade social — assistir naquela hora ao filme que ele tinha prometido assistir na companhia da Elaine — acontece de um jeito que se repetirá inúmeras vezes na série (como em The Opposite, com o Jerry induzindo o George): a pessoa que se quer deixar convencer fazendo umas perguntas retóricas bobinhas, às quais a pessoa que quer convencer vai retorquindo de maneira um pouco entusiasmada, porque todo mundo já sabe que a outra pessoa irá ceder. “Saving movies…”. “Ridiculous!”