“Gostava mais de vocês quando não eram um casal”.
The Deal é daqueles episódios peculiares. Não é fantástico, mas mostra um Seinfeld com personagens bem definidos e com histórias paralelas bem cruzadas.
O episódio gira em torno de algo que nunca acontece na série: tensão sexual entre Jerry e Elaine. No apartamento de Jerry, os dois no sofá, vendo TV, decidem que seria bom se pudessem fazer sexo criando algumas regras para que a amizade não seja afetada: não ligar no dia seguinte, passar a noite juntos é opcional, etc. O plano, que parece funcionar muito bem no início, acaba sendo afetado quando Elaine se chateia por Jerry não passar a noite na casa dela. Embora ela diga estar bem com isso, fica claro que ela não assimila as regras tão bem assim.
A história que se desenvolve paralelamente é o aniversário de Elaine e a dificuldade que Jerry tem para encontrar um presente. Se Jerry já é uma pessoa distante sem que esteja em um ‘relacionamento’, a situação piora com a nova condição: como comprar um presente sem que Elaine interprete de forma errada, sem que veja nas entrelinhas algo que, na verdade, não existe?
Embora a história principal seja o revival de Elaine e Jerry, a história paralela, que é a compra do presente de aniversário, é a que dá toda a graça. O episódio apresenta um Jerry completamente alheio, não sabendo o que comprar para uma ex-namorada e atual amiga íntima (e resolve presenteá-la com dinheiro, tal como um parente distante faria), mas mostra um Kramer mais perceptivo ao presentear Elaine justamente com o que ela havia mencionado: um banco. Sim, um banco, como em um ponto de ônibus (créditos para George Costanza). A graça é que, por ter acertado na escolha do presente, Kramer acaba passando Jerry para trás, deixando claro que ele não é um modelo de homem que Elaine deveria escolher para um relacionamento.
Acho The Deal um episódio interessantíssimo para analisar Elaine e seu comportamento. Muita gente vê Elaine como um bom modelo liberal de mulher na TV – tem emprego estável, sempre tem namorados sem se envolver demais, não depende de figuras masculinas -, mas nesse episódio o que se vê é o estereótipo padrão feminino: ela não consegue sustentar o acordo, não consegue separar sexo e compromisso.
Por fim, George não tem grande participação, embora se encaixe muito bem tanto no small talk com Jerry no Monk’s, quanto na hora da tentativa de compra do presente fazendo suas piadinhas. Kramer, ainda com pequenas aparições, também não tem trama própria, mas consegue um timing perfeito com o ‘casal’.
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8 Comentários
Bom… soube a pouco sobre a existencia desse site e amei de cara…
Espero poder contribuir com “nada”.
Sobre o episódio tenho uma amiga cujo o relacionamento tem as mesmas caracteristicas do “the Deal”.
Pessoal, quando vi o episodio e depois no DVD as explicaçoes do Larry, não foi dificil acreditar que aconteceu com ele pois acontece comigo.
Minha amiga quando edoida [risos] faz essas loucuras e já a fez comigo.
Muito bem bolada a sequencia em que o Jerry tenta explicar ao George o trato e o gordinho se esforça em dizer que não dará certo e ao mesmo tempo analisando as possibilidades de poder fazer amor com uma milher sem sentimento de culpa e sem ter de pagar..[hahahaha]
Elaine impecável como sempre, e Kramer, impagável
abraços
Eu gostaria de propor que o Jerry fosse considerado ator pelo menos decente. Todo mundo vive criticando os talentos de representação dele – como disse uma vez alguém sobre um outro alguém, talentos que vão de A a quase B –, o que sempre me deixa um pouco fulo quando eu vejo episódios como esse, especialmente a cena inicial. Quando ele apareceu naquele episódio em 30 Rock, acho que o primeiro da segunda temporada, a Tina ficou fazendo hora com a cara dele, arremedando aquela voz aguda que ele faz quando ele reclama de alguma coisa. Eu gosto muito daquela voz.
Na cena do “this and that”, é claro, a Elaine consegue exagerar de uma maneira muito mais histriônica que o Jerry, mas eu ainda acho que ele esteve muito bem. Quando ele joga os braços para cima, como estivesse refutando fisicamente uma ideia totalmente absurda, ou quando ele entrelaça as mãos para dizer que dormir não tem nada a ver com dormir com uma pessoa, tudo isso é muito massa. Olha, eu voltei para contar o tempo que eles passam nesse diálogo. Até a hora que eles se levantam do sofá, até ali são mais ou menos cinco minutos e quarenta centavos.
Nada de errado com a frase que você escolheu de epígrafe. Eu gostei muito do George dizendo irritado para o Jerry: “You’re not in the mood? Well, you get in the mood!” Dá para ver claramente o Jerry rindo – e aqui eu não acho que tenha sido uma manifestação de talento, mas ele mesmo não conseguindo segurar o riso.
E aquela moça que mora com a Elaine? Ela está sempre mascando uma goma. E ela vem com aquela história de improv class – imagina essa guria na mesma aula que o Michael Scott!? Eu não me lembro se ela aparece como uma vítima do quarteto no Grand Finale, mas que seria uma bela candidata, isso ela seria.
E o Kramer com as suas notas mentais, prestando atenção e guardando na memória o presente que a Elaine queria ganhar? Não terá sido a primeira vez que ele menciona esse poder. Eu me lembro dele fazendo isso também com o horário em que ele iria acordar no dia seguinte. Mas o melhor para mim é a pose dele para dizer “Yeats”.
Mensagem cheia de erros, estou vendo agora. Não vou corrigir nenhum. Como corrigir, em todo caso, “cinco minutos e quarenta centavos”?
Acontece uma coisa bem importante nesse episódio: o “George perdedor” se consolida com a seguinte lamentação: “eu não tenho emprego, nem pra onde ir”.
É um bom episódio, que trata de um grande mistério da humanidade: dá pra ter sexo na amizade sem estragar tudo? Segundo Seinfeld, não.
Gosto muito da participação de Kramer fodendo a vida de Jerry, quase como naquele lance dos 5 mil dólares (The Apartment). Mas, na boa… pra que esse presente e cartão tão especial pra Elaine? Todo mundo sabe que eles não são lá tão amigos.
Ao contrário da Renata, eu gosto mais do começo do episódio. Considero dois diálogos de antologia da série, tanto Jerry e Elaine estabelecendo as regras do acordo, tentando tudo parecer bem simples e o papo no Monk’s com Jerry contando muito casualmente que dormiu com Elaine e a reação de George, pedindo mais oxigênio.
A parte do presente não acho tão engraçada, embora as análises de Jerry listando as mensagens que serão passadas para cada sugestão de George seja um momento de identificação.
Acabei de descobrir o site, vou passar a acompanhar os episódios com vocês toda semana!
Pois é os 2 fazendo o trato é uma cena clássica da série e aparte do George pedindo mais oxigénio é de matar, é legal ver o Jerry na situação de não saber o que oferecer para a Elaine, eu mesmo já me deparei com situações dessas e aconteceu o mesmo, ehehehhe!
Eu achei meio chato eles ficarem juntos nesse episódio, parecia aqueles relacionamentos do “friends”, tirava um pouco da graça, ainda bem que durou só esse episódio. O negócio do banco eu gostei, e dar dinheiro de presente também achei ótimo. A reação dela quando recebe o dinheiro é muito boa. Eu gosto muita da Julia-nãomelembro Dreyfuss.