“Eu seria amigo do Stalin se ele tivesse uma mesa de pingue-pongue.”

Este é certamente um dos episódios clássicos da série, cheio de chicotadas psicológicas que são puro ouro, no melhor estilo de Seinfeld.

A trama gira em torno de um amigo mala do Jerry, que insiste em forçar a amizade mesmo que os dois não tenham rigorosamente nada em comum, tirando o fato de terem morado na mesma vizinhança quando crianças.

E o cara é o maior cretino, totalmente autista. A cena dos dois na cafeteria eu acho que é uma das melhores nesse começo da série, com o Seinfeld inventando coisas absurdas só pra demonstrar que o amigão não presta a menor atenção no que ele diz.

Outra cena extremamente ‘vida real’ é o Jerry aproximando a cabeça do telefone enquanto tenta terminar a conversa com seu desagradável ex-amigo em atividade. Fica claro que esse sempre foi o principal apelo do humor do programa – você vê as coisas escrotas que eles fazem e ou já fez algo parecido ou já teve muita vontade de fazer. Como ter por perto uma lista de desculpas para não sair com um amigo desprezível, por exemplo.

O episódio é recheado de pérolas típicas do trabalho de Seinfeld e também de Larry David, que escreveram esse juntos. A trama do George no banco, tentando trocar milhares de moedas, não faz o menor sentido, mas é muito engraçada – embora, conforme o tempo foi passando, eles tenham passado a amarrar melhor essas pequenas gags dentro da trama.

Acho que o destaque negativo fica por conta do Kramer, que ainda estava muito fora do tom. Até aqui, ele ainda parecia um mané DEFAULT das séries de humor do começo dos anos 90. Do jeito que o Michael Richards tava fazendo, podiam ter até chamado alguém tipo o Jeff Daniels, tranquilamente. E o pior que a história do ‘faça sua própria pizza’ é muito boa.

De qualquer forma, acho Male unbonding um dos bons frutos da safra inicial da série. Coisa fina, certamente.

9 Comentários

  1. Escrito 5 de março de 2009 em 10:07 | Permalink

    Acho que foi nesse episódio que o lado escroto de Seinfeld e seus amigos começou a se destacar. Isso que é maneiro na série: mostrar como o ser humano pode ser “mau”, mesmo sem querer, como se fosse uma tendência natural da nossa espécie. Em vez de a gente rir do puro “it´s funny because it´s true”, rimos por reconhecer que às vezes podemos ser cruéis como aqueles personagens, se fôssemos sinceros o bastante.

    • Escrito 5 de março de 2009 em 10:48 | Permalink

      e aí entra aquilo que eu disse no primeiro episódio: com a série eu pelo menos passei a ser um pouco mais “sincero o bastante”

      • Escrito 6 de março de 2009 em 17:38 | Permalink

        Concordo com você, Ulisses. Acho que uma das grandes sacadas do Seinfeld é deixar de lado a forma maniqueísta como a gente julga os seres humanos: bons e maus. Ele bota a “filosofia” do politicamente correto no chão. Mas acho que ele não mostra isso apenas como uma tendência, mas como um estado natural: o ser humano É assim ponto. Até por uma questão de sobrevivência.
        Agora, Felipe, eu não tirei nenhuma lição do Seinfeld, não. Mesmo porque, não acho que eles estivessem fazendo um questionamento moral. Apenas evidenciaram e tiraram vantagem dos princípios que regem nosso comportamento, que são em si, muitas vezes ridículos, sem julgamento de valor (certo x errado).

        • Escrito 7 de março de 2009 em 22:16 | Permalink

          mas aí que tá: quem disse pra mim que os princípios que regem nosso comportamento são ridículos foi seinfeld. essa é a lição.

  2. Escrito 6 de março de 2009 em 23:51 | Permalink

    A Elaine demora pra caramba a aparecer. E quando aparece ela está com aquele tédio tão engraçado: só aceita sair se ela não precisar conversar. O que eu acho legal é quando ela, depois de criticar o Jerry por não lidar como um homem com a situação do amigo inoportuno, no final se convence de que o melhor é mentir e inventar uma desculpa para escapar de ter que ir ao jogo com ele. Essas mentiras são sempre engraçadas quando os integrantes de um pequeno grupo estão querendo mentir, mas um deles não consegue e acaba tendo que fazer alguma coisa desagradável. Em Seinfeld geralmente isso acontece com o George — apesar de ser o rei da mentira ele é também o rei do azar.

    • Escrito 24 de março de 2009 em 1:32 | Permalink

      A Elaine entra rapidinho e consegue soltar uma observação do cacete. Ao saber que Seinfeld fez o amigo chorar, ela acha isso admirável, pois nunca conseguiu levar um homem às lágrimas. É uma abordagem inusitada da situação, bem inesperada (pelo menos pra mim).

  3. Escrito 7 de março de 2009 em 22:19 | Permalink

    quebrar a casquinha do m&m sem quebrar o amendoim é uma coisa que a julia fazia. eles acharam isso muito legal, e falaram pra ela fazer a elaine fazer também.

  4. Bernardo Zirpoli
    Escrito 12 de abril de 2009 em 0:07 | Permalink

    Não gosto muito desse episódio, apesar da idéia de fazer sua própria pizza ser uma das que mais me marcou na série. Nenhuma gargalhada quando revi, ao contrário dos 3 anteriores. Mas até um episódio “mais fraco” de Seinfeld é muito melhor que a média, e o roteiro flui bem rapidamente.

  5. Escrito 13 de dezembro de 2009 em 21:09 | Permalink

    Neste episódio se desenvolve melhor o tema do socially awkward, algo recorrente em Seinfeld. Ainda tem as características do começo da série, como personagens menos aproveitadas, plot único com uma ou outra gag não-relacionada, etc. Já aponta para os desenvolvimentos posteriores.

    Mas, em contrapartida, não há tão boas piadas. 6 de 10.

Um Trackback

  1. Por The boyfriend — em 18 de março de 2010 às 16:27

    [...] leis não escritas da sociedade” Larry diria mais tarde em um dos episódios de Curb. Se em “Male-Unbonding”, da primeira temporada, Seinfeld tentava terminar uma amizade, em “The Boyfriend” ele vive a [...]

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