“Um juicer é uma das melhores maneiras… ele faz suco, extrai a polpa e também as vitaminas, para uma vida longa e cheia de vitalidade”

A quarta e a quinta temporadas de Seinfeld são sem dúvida o ápice da série: são as duas primeiras que possuem arcos que ligam todos os episódios (Jerry e George tentando vender o programa para a NBC na quarta, George voltando a morar com os pais e o coffee table book sobre coffee tables de Kramer na quinta), são as duas últimas dirigidas por Tom Cherones e que contém episódios escritos por Larry Charles.

Charles, que depois se tornaria um diretor de grande sucesso com Borat e Brüno, criou alguns dos roteiros com humor mais sombrio do programa, entre eles este The Bubble Boy, co-escrito com Larry David.

O episódio começa com Jerry e sua namorada Naomi chegando ao apartamento após jantarem num restaurante chinês. Essa cena tem dois momentos que mostram perfeitamente a natureza passiva-agressiva de Jerry: primeiro ele tenta evitar situações em que Naomi soltasse sua risada irritante (”soa como Hortelino Troca-Letras sentado num juicer“) – ela quer assistir Corra Que a Polícia Vem Aí, ele sugere Holocausto. Depois, quando ela descobre a forma como ele havia descrito seu riso, Seinfeld tenta salvar a situação justificando que Hortelino é um dos personagens mais amados e conhecidos de todos os tempos e que o juicer é uma das melhores maneiras de se extrair suco de uma fruta.

Sem a namorada, Jerry acha que não poderá passar o fim de semana com George e Susan no chalé da família dela, construído pelo avô. George consegue convencê-lo a ir com Elaine. Kramer não foi convidado, mas de qualquer maneira já tinha planos para o final de semana. Sabendo que ele não poderia ir, George resolve convidá-lo.

A dificuldade que Jerry tem em dizer não traz mais inconvenientes: enquanto conversa com Elaine no Monk’s Cafe, ele é abordado por um entregador de Yoo-hoo que diz que o filho é um grande fã do comediante e pede para que ele visite o garoto – que tem problemas de saúde e não pode sair de uma bolha de plástico – no dia seguinte, quando o menino faz aniversário. Após Elaine insistir, Jerry concorda em conhecer o rapaz, que mora no meio do caminho para o chalé.

É aí que entra o tal “bubble boy” do título. Não fiquei contando, mas imagino que “bubble boy” seja dito pelo menos umas cinquenta vezes até o final do episódio, geralmente num tom de espanto ou compaixão. Lembro que a primeira vez que assisti esse episódio, toda vez que alguém mencionava o garoto eu imaginava um menino doente, frágil, isolado do resto do mundo, uma coisa meio John Travolta em O Rapaz na Bolha de Plástico.

Devido a uma série de desencontros, quem vai parar na casa do tal garoto na bolha é George e Susan, ao invés de Jerry, que enquanto isso briga com uma garçonete em um diner para pegar uma foto de volta, porque achou que a frase que escreveu no autógrafo – “Nothing’s finer than being in your diner” – ficou muito ruim.

É neste momento que percebemos que este é um episódio de Larry Charles: ao encontrar o rapaz, Susan e George percebem que trata-se de um moleque completamente escroto e mimado (e que além de tudo é fã de Ugly Kid Joe!). Ele pede para Susan mostrar os peitos e desafia George para uma partida de Trivial Pursuit (um jogo de perguntas e respostas que, acho, nunca foi lançado no Brasil).

George faz o que se espera dele: não só aceita o desafio como acaba se atracando com o rapaz através da bolha mesmo, tudo por causa de um erro de impressão em uma das respostas do jogo: ao invés de “moors” (”mouros”), a resposta que Costanza esperava era “moops“. A bolha acaba estourando e o menino tem de ser levado para o hospital, George discutindo a resposta com o rapaz até a caminho da ambulância. Uma pequena turba se junta para bater no baixinho careca da cidade que tentou matar o pobre bubble boy e George, Susan, Jerry e Elaine conseguem fugir, pegando o caminho de volta para o chalé.

Kramer não aparece muito neste episódio, mas tem uma participação fundamental: ao ter o seu compromisso cancelado, resolve ir encontrar os amigos no chalé junto com Naomi, que se arrependeu de ter abandonado Seinfeld. Chegando no chalé, ele esquece um charuto aceso, que cai em cima de uma pilha de jornais.

O episódio termina com os quatro chegando no chalé em chamas. As consequências desse desastre são mostradas no próximo episódio: The Cheever Letters.

5 comentários Comente!

  1. Irio
    Posted 11 de dezembro de 2009 às 5:53 | Permalink

    Esse episódio é dos mais cruéis e engraçados k tem, a cara de satisfação do George ao ver k o muleke tinha errado é maravilhosa. E como sempre o incendio provocado pelo Kramer vai ter conseqencias tragicomicas no fim.

  2. Edson Morais
    Posted 11 de dezembro de 2009 às 9:50 | Permalink

    Mais um episódio 5 Jerrys.

    Adoro a cena em que Jerry e George fingem estar decepcionados por Kramer não poder ir ao campo com eles. A descrição dos sabores das tortas e ótima e gostaria de saber quanto tempo eles levaram para acertar toda aquela sincronia, até fechar com “Peach!”.

    Jerry recebendo um guardanapo de Elaine – que estava enxugando suas lágrimas de comoção após saber do bubble boy – e limpando a boca também é uma aula de sarcasmo.

    Engraçado é que ao assistir o episódio pela primeira vez eu lembro de ter ficado comovido ao imaginar como seria uma pessoa vivendo numa bolha de plástico. Porém, qualquer comoção ou pena são imediatamente varridas quando nos deparamos com o personagem Donald, o bubble boy. Que sujeito chato!!! Eu acho que estouraria a bolha dele por muito menos que George e Susan.

    Kraemer com Naomi no carro, falando em Espanhol cheio de sotaque também é muito legal: ” Maria, poquendo los scientos de estes con gleam”. (Essa tire direto do ‘Seinfeld Scripts’. Obrigado Renato, querido irmão).

    Também é muito pentelha a garçonete que atendeu Jerry e Elaine. Custava devolver o poster?! E Jerry, até que gostei da sua frase… não seja tão modesto.

    No fim, Kramer entrando pela janela no chalé e caindo é típico de Kramer mesmo… sempre engraçado.

    Ótimo episódio, certamente um dos meus TOP Five.

    Abraço,

    Edson Morais

  3. Leonardo Goulart
    Posted 11 de dezembro de 2009 às 12:27 | Permalink

    Eu não condeno a garçonete. Se ele propusesse dar outra na hora, tudo bem, mas era a última foto, e se ela nunca visse outra? Eu tb não devolveria.

  4. Mário
    Posted 11 de dezembro de 2009 às 20:38 | Permalink

    E o jeito da mãe do bubble boy, enquanto brigava com George: Donald, no..Donald no…não é a toa que é mimado daquele jeito…

  5. Posted 6 de janeiro de 2010 às 22:19 | Permalink

    Adoro como o jeito competitivo e mesquinho do George aparece tanto na disputa com o Bubble Boy quanto na forma como ele faz questão de correr na frente durante a viagem, fazendo um bom tempo na estrada e sem se importar com o Seinfeld.

2 trackbacks

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  2. Por The Cheever letters em 17 de dezembro de 2009 às 9:54

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